{"id":1064,"date":"2019-07-09T11:48:34","date_gmt":"2019-07-09T14:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=1064"},"modified":"2019-07-09T11:48:34","modified_gmt":"2019-07-09T14:48:34","slug":"visita-pastoral-do-papa-francisco-a-turim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=1064","title":{"rendered":"Visita Pastoral do Papa Francisco a Turim"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ENCONTRO COM OS JOVENS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>DISCURSO DO SANTO PADRE<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pra\u00e7a Vittorio<br \/>Domingo, 21 de Junho de 2015<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>[<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Obrigado Chiara, Sara e Luigi. Obrigado porque as perguntas s\u00e3o sobre o tema das tr\u00eas palavras do Evangelho de Jo\u00e3o que acab\u00e1mos de ouvir: amor, vida, amigos. Tr\u00eas palavras que no texto de Jo\u00e3o se cruzam, e uma explica a outra: n\u00e3o se pode falar da vida no Evangelho sem falar do amor \u2014 se falarmos da verdadeira vida \u2014 e n\u00e3o se pode falar do amor sem esta transforma\u00e7\u00e3o de servos em amigos. E estas tr\u00eas palavras s\u00e3o t\u00e3o importantes para a vida mas as tr\u00eas t\u00eam uma raiz comum: a vontade de viver. E aqui permito-me recordar as palavras do beato Pier Giorgio Frassati, um jovem como v\u00f3s: \u00abViver, n\u00e3o ir vivendo!\u00bb. Viver!<\/p>\n\n\n\n<p>Sabeis que n\u00e3o \u00e9 bom ver um jovem \u00abparado\u00bb, que vive, mas vive como \u2014 permiti-me a palavra \u2014 como um vegetal: faz as coisas, mas a vida n\u00e3o \u00e9 uma vida que progride, est\u00e1 parada. Sabeis que a mim me causam tanta tristeza no cora\u00e7\u00e3o os jovens que se aposentam aos vinte anos! Sim, envelheceram cedo&#8230; Por isso, quando Chiara fez aquela pergunta sobre o amor: aquilo que faz com que um jovem n\u00e3o se aposente \u00e9 a vontade de amar, a vontade de dar o que o homem tem de mais belo, e que Deus tem de mais bonito, porque a defini\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o d\u00e1 de Deus \u00e9 \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb. E quando o jovem ama, vive, cresce, n\u00e3o se aposenta. Cresce, cresce, cresce e d\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que \u00e9 o amor? \u00ab\u00c9 a telenovela, padre? Aquilo que vemos nos romances televisivos?\u00bb. H\u00e1 quem pense que \u00e9 esse o amor. Falar do amor \u00e9 t\u00e3o bom, podem-se dizer coisas agrad\u00e1veis, muito bonitas. Mas o amor tem dois eixos sobre os quais se move, e se uma pessoa, um jovem n\u00e3o tem estes dois eixos, estas duas dimens\u00f5es do amor, n\u00e3o \u00e9 amor. Antes de tudo,&nbsp;<em>o amor est\u00e1 mais nas obras do que nas palavras: o amor \u00e9 concreto<\/em>. Com a fam\u00edlia salesiana, h\u00e1 duas horas, falei da tangibilidade da sua voca\u00e7\u00e3o&#8230; \u2014 E vejo que se sentem jovens porque est\u00e3o aqui \u00e0 frente! \u2014 O amor \u00e9 tang\u00edvel, consiste mais nas obras do que nas palavras. N\u00e3o \u00e9 amor dizer apenas: \u00abEu amo-te, eu amo todas as pessoas\u00bb. N\u00e3o. O que fazes por amor? O amor d\u00e1-se. Pensai que Deus come\u00e7ou a falar de amor quando estabeleceu uma hist\u00f3ria com o seu povo, quando escolheu o seu povo, fez uma alian\u00e7a com o seu povo, salvou o seu povo, perdoou tantas vezes \u2014 quanta paci\u00eancia tem Deus! Fez gestos de amor, obras de amor. E a segunda dimens\u00e3o, o segundo eixo sobre o qual o amor se move \u00e9 que&nbsp;<em>o amor se comunica sempre<\/em>, isto \u00e9, o amor ouve e responde,&nbsp;<em>o amor faz-se no di\u00e1logo, na comunh\u00e3o<\/em>: comunica-se. O amor n\u00e3o \u00e9 surdo nem mudo, comunica-se. Estas duas dimens\u00f5es s\u00e3o muito \u00fateis para compreender o que \u00e9 o amor, que n\u00e3o \u00e9 um sentimento rom\u00e2ntico do momento nem uma hist\u00f3ria, n\u00e3o, \u00e9 concreto, consiste nas obras. E comunica-se, ou seja, est\u00e1 no di\u00e1logo, sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto Chiara, respondo \u00e0 tua pergunta: \u00abCom frequ\u00eancia nos sentimos desiludidos precisamente no amor. Em que consiste a grandeza do amor de Jesus? Como podemos experimentar o seu amor?\u00bb. E agora, eu sei que v\u00f3s sois bons e permitireis que eu fale com sinceridade. N\u00e3o pretendo ser moralista mas dizer uma palavra que n\u00e3o agrada, uma palavra impopular. Tamb\u00e9m o Papa algumas vezes deve arriscar sobre as coisas para dizer a verdade. O amor consiste nas obras, em comunicar, mas o amor \u00e9 muito respeitador das pessoas, n\u00e3o as usa, isto \u00e9,&nbsp;<em>o amor \u00e9 casto<\/em>. E a v\u00f3s jovens deste mundo, deste mundo hedonista, neste mundo onde s\u00f3 o prazer \u00e9 publicitado, passar bem, levar uma vida descontra\u00edda, eu digo-vos: sede castos, sede castos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos n\u00f3s na vida pass\u00e1mos por momentos nos quais esta virtude \u00e9 muito dif\u00edcil, mas \u00e9 precisamente a vida de um amor genu\u00edno, de um amor que sabe dar a vida, que n\u00e3o procura usar o outro para o pr\u00f3prio prazer. \u00c9 um amor que considera a vida da outra pessoa sagrada: eu respeito-te, eu n\u00e3o quero usar-te, n\u00e3o quero usar-te. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Todos sabemos as dificuldades para superar este conceito \u00abfacilitador\u00bb e hedonista do amor. Perdoai-me se digo uma coisa que n\u00e3o esper\u00e1veis, mas pe\u00e7o-vos: fazei o esfor\u00e7o de viver o amor castamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E disto obtemos uma consequ\u00eancia: se o amor \u00e9 respeitador, se o amor est\u00e1 nas obras, se o amor est\u00e1 em comunicar,&nbsp;<em>o amor sacrifica-se pelos outros<\/em>. Olhai para o amor dos pais, de tantas m\u00e3es, de tantos pais que de manh\u00e3 chegam ao lugar de trabalho cansados porque n\u00e3o dormiram bem para cuidar do pr\u00f3prio filho doente, isto \u00e9 amor! Isto \u00e9 respeito. Isto \u00e9 viver bem. Isto \u00e9 \u2014 passemos \u00e0 outra palavra-chave \u2014 \u00ab<em>servi\u00e7o<\/em>\u00bb.&nbsp;<em>O amor \u00e9 servi\u00e7o<\/em>. \u00c9 servir os outros. Quando Jesus, depois do lava-p\u00e9s, explicou o gesto aos Ap\u00f3stolos, ensinou que somos feitos para servir uns aos outros, e se digo que amo e n\u00e3o sirvo o outro, n\u00e3o o ajudo, n\u00e3o o fa\u00e7o progredir, n\u00e3o me sacrifico pelo outro, isto n\u00e3o \u00e9 amor. Carregastes [a Cruz das jmj]: nela est\u00e1 o sinal do amor. Aquela hist\u00f3ria de amor de Deus misturada com as obras e o di\u00e1logo, com o respeito, o perd\u00e3o e a paci\u00eancia durante tantos s\u00e9culos de hist\u00f3ria com o seu povo, acaba ali: o seu Filho na cruz, o servi\u00e7o maior, que \u00e9 dar a vida, sacrificar-se, ajudar os outros. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar de amor, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver o amor. Mas com o que disse na minha resposta, Chiara, penso que te ajudei em algo, nas perguntas que me fizeste. N\u00e3o sei, espero que te sejam \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado Sara, apaixonada pelo teatro. Obrigada. \u00abPenso nas palavras de Jesus: Dar a vida\u00bb. Falemos disto agora. \u00abMuitas vezes respiramos um sentido de desconfian\u00e7a na vida\u00bb. Sim, porque h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que nos fazem reflectir: \u00abMas, vale a pena viver assim? O que podemos esperar desta vida?\u00bb. Pensemos, deste modo, nas guerras. Algumas vezes disse que n\u00f3s estamos a viver a terceira guerra mundial, mas aos peda\u00e7os. Aos bocados: na Europa h\u00e1 guerra, na \u00c1frica h\u00e1 guerra, no M\u00e9dio Oriente h\u00e1 guerra, noutros pa\u00edses h\u00e1 guerra&#8230; Mas posso ter confian\u00e7a numa vida assim? Posso fiar-me dos l\u00edderes mundiais? Eu, quando vou votar num candidato, posso confiar que n\u00e3o levar\u00e1 o meu pa\u00eds \u00e0 guerra? Se confiares unicamente nos homens, perdes-te! Um aspecto faz-me reflectir: pessoas, dirigentes, empres\u00e1rios que se proclamam crist\u00e3os, mas fabricam armas! Isto desanima um pouco: dizem ser crist\u00e3os! \u00abN\u00e3o, n\u00e3o padre, eu n\u00e3o fabrico armas, n\u00e3o&#8230; Tenho apenas as minhas poupan\u00e7as, os meus investimentos nas f\u00e1bricas de armas\u00bb. Ah! E porqu\u00ea? \u00abPorque os juros s\u00e3o um pouco mais altos&#8230;\u00bb. E tamb\u00e9m as duas faces da moeda corrente, hoje: dizer uma coisa e fazer outra. A hipocrisia&#8230; Mas vejamos o que aconteceu no s\u00e9culo passado: em 1914, mais exactamente em 1915. Houve aquela grande trag\u00e9dia da Arm\u00e9nia. Muitos morreram. N\u00e3o sei o n\u00famero: sem d\u00favida mais de um milh\u00e3o. Mas onde estavam as grandes pot\u00eancias de ent\u00e3o? Olhavam para o outro lado. Porqu\u00ea? Porque estavam interessadas na guerra: a sua guerra! E quantos morrem, s\u00e3o pessoas, seres humanos de segunda classe. Depois, nos anos 1930\/40, a trag\u00e9dia do Holocausto. As grandes pot\u00eancias tinham as fotografias dos caminhos-de-ferro que levavam os comboios aos campos de concentra\u00e7\u00e3o, como Auschwitz, para matar os judeus, e tamb\u00e9m os crist\u00e3os, os roms, os homossexuais, para os matar ali. Mas diz-me, por que n\u00e3o bombardearam aqueles lugares? O interesse! E pouco depois, quase em contempor\u00e2neo, havia os lagers na R\u00fassia: Stalin&#8230; Quantos crist\u00e3os sofreram, foram assassinados! As grandes pot\u00eancias dividiam entre si a Europa como se fosse um bolo. Tiveram que passar muitos anos antes de chegar a uma \u00abcerta\u00bb liberdade. H\u00e1 aquela hipocrisia de falar de paz e fabricar armas, e at\u00e9 vender armas a quem entrou em guerra com outro, e \u00e0quele que est\u00e1 em guerra com este!<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo o que dizer acerca da desconfian\u00e7a na vida; tamb\u00e9m hoje que estamos a viver na cultura do descart\u00e1vel. Porque se descarta o que n\u00e3o \u00e9 \u00fatil economicamente. Descartam-se as crian\u00e7as, porque n\u00e3o se geram, ou porque se matam antes que nas\u00e7am; descartam-se os idosos, porque n\u00e3o servem e abandonam-se ali, a morrer, uma esp\u00e9cie de eutan\u00e1sia camuflada, e n\u00e3o se ajudam a viver; e agora descartam-se os jovens: pensai naquele 40% de jovens, aqui, sem trabalho. \u00c9 exactamente um descarte! Mas porqu\u00ea? Porque no centro do sistema econ\u00f3mico mundial n\u00e3o est\u00e3o o homem e a mulher como Deus quer, mas o deus dinheiro. E faz-se tudo por dinheiro. Em espanhol h\u00e1 um lindo ditado que reza assim: \u00abPor la plata baila el mono\u00bb. Traduzo: \u00abPelo dinheiro at\u00e9 o macaco dan\u00e7a\u00bb. E assim, com esta cultura do descart\u00e1vel, podemos ter confian\u00e7a na vida? Com aquele sentido de desafio [que] se propaga, se alastra, se difunde? Um jovem que n\u00e3o pode estudar, que n\u00e3o tem trabalho, que tem vergonha por n\u00e3o se sentir digno por n\u00e3o ter um trabalho, por n\u00e3o ganhar a vida. Mas quantas vezes estes jovens acabam na depend\u00eancia? Quantas vezes se suicidam? As estat\u00edsticas dos suic\u00eddios entre os jovens n\u00e3o se conhecem bem. Ou quantas vezes estes jovens v\u00e3o lutar com os terroristas, pelo menos para fazer algo, por um ideal. Eu compreendo este desafio. E por isso Jesus nos dizia para n\u00e3o repor a nossa seguran\u00e7a na riqueza, nos poderes humanos, nos poderes deste mundo. Como posso ter confian\u00e7a na vida? Como posso fazer, como posso viver uma vida que n\u00e3o destrua, que n\u00e3o seja uma vida de destrui\u00e7\u00e3o, uma vida que n\u00e3o descarte as pessoas? Como posso viver uma vida que n\u00e3o me desiluda?<\/p>\n\n\n\n<p>E passo a responder \u00e0 pergunta de Luigi: ele falava de um projecto de partilha, ou seja, de liga\u00e7\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o. Devemos dar continuidade aos nossos projectos de constru\u00e7\u00e3o, e assim esta vida n\u00e3o desilude. Se te associares a um projecto de constru\u00e7\u00e3o, de ajuda \u2014 pensemos nas crian\u00e7as de rua, nos migrantes, em tantos que vivem em necessidade, e n\u00e3o para lhes dar de comer s\u00f3 um, dois dias, mas para os promover com a educa\u00e7\u00e3o, com a unidade na alegria dos Orat\u00f3rios e tantas coisas, mas realidades que edificam, ent\u00e3o afasta-se, esmorece aquele sentido de desconfian\u00e7a na vida. Que devo fazer por isto? N\u00e3o se aposentar demasiado cedo: agir. Agir . E digo o seguinte:&nbsp;<em>ir contracorrente<\/em>. Ir contracorrente. Para v\u00f3s, jovens, que viveis esta situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, tamb\u00e9m cultural, hedonista, consumista com os valores de \u00abbolhas de sab\u00e3o\u00bb, com estes valores n\u00e3o se vai a lado algum. Fazer coisas construtivas, mesmo se s\u00e3o pequenas, mas que nos unam aos nossos ideais: \u00e9 este o melhor ant\u00eddoto contra a desconfian\u00e7a da vida, contra esta cultura que te oferece apenas o prazer: estar bem, ter dinheiro e n\u00e3o pensar noutras coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado pela pergunta. A ti, Luigi, em parte, respondi, ou n\u00e3o? Ir contracorrente, ou seja, ser corajoso e criativo, ser criativo. No Ver\u00e3o passado recebi, uma tarde \u2014 era Agosto&#8230; Roma estava deserta. Falei por telefone com um grupo de jovens e mo\u00e7as que faziam camping em v\u00e1rias cidades da It\u00e1lia, e vieram-me visitar \u2014 disse-lhes que viessem \u2014 mas pobrezinhos, todos sujos, cansados&#8230; mas felizes! Porque tinham feito algo \u00abcontracorrente\u00bb!<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, a publicidade quer convencer-nos de que isto \u00e9 bom, que aquilo \u00e9 bom, e faz-nos acreditar que s\u00e3o \u00abdiamantes\u00bb; Mas, reparai, est\u00e3o a vender-nos vidro! E n\u00f3s devemos ir contra isto, n\u00e3o ser ing\u00e9nuos. N\u00e3o comprar imund\u00edcie que nos querem fazer passar por diamantes.<\/p>\n\n\n\n<p>E para terminar, gostaria de repetir a palavra de Pier Giorgio Frassati: se quiserdes fazer algo de bom na vida, vivei, n\u00e3o andeis vivendo. Vivei!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas v\u00f3s sois inteligentes e certamente me direis: \u00abMas, o Santo Padre fala assim porque vive no Vaticano, tem tantos monsenhores ali que lhe fazem o trabalho, est\u00e1 tranquilo e n\u00e3o sabe o que \u00e9 a vida de todos os dias&#8230;\u00bb. Sim, h\u00e1 quem possa pensar assim. O segredo consiste em compreender bem onde se vive. Nesta terra \u2014 e disse isto tamb\u00e9m \u00e0 Fam\u00edlia salesiana \u2014 em finais do s\u00e9culo xix a juventude crescia nas piores condi\u00e7\u00f5es: a ma\u00e7onaria estava no auge, at\u00e9 a Igreja nada podia fazer, havia o anticlericalismo, o satanismo&#8230; Era um dos momentos mais obscuros e um dos lugares mais tristes da hist\u00f3ria da It\u00e1lia. Mas se quiserdes fazer um bom dever em casa, ide procurar quantos santos e santas nasceram naquele tempo! Porqu\u00ea? Porque se aperceberam que tinham que contrastar aquela cultura, aquele modo de viver. A realidade, viver a realidade. E se esta realidade \u00e9 vidro e n\u00e3o diamante, eu procuro a realidade contracorrente e fa\u00e7o a minha realidade, mas que seja servi\u00e7o aos outros. Pensai nos vossos santos desta terra, no que fizeram!<\/p>\n\n\n\n<p>E obrigado, muito obrigado! Sempre amor, vida, amigos. Mas estas palavras podem ser vividas unicamente em \u00absa\u00edda\u00bb: saindo sempre para levar algo. Se ficardes parados nada fareis na vida e acabareis por arruin\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Esqueci de vos dizer que agora entregarei o discurso escrito. Eu conhecia as vossas perguntas, e escrevi alguma coisa sobre as vossas perguntas; mas n\u00e3o \u00e9 o que disse, isto veio-me do cora\u00e7\u00e3o; e entrego ao encarregado o discurso, e tu d\u00e1-lo-\u00e1s a conhecer [entrega as folhas ao sacerdote encarregado da pastoral juvenil]. Muitos de v\u00f3s s\u00e3o universit\u00e1rios, mas n\u00e3o penseis que a universidade \u00e9 apenas estudar com o c\u00e9rebro: ser universit\u00e1rio significa tamb\u00e9m sair, sair em servi\u00e7o, sobretudo aos pobres! Obrigado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Discurso preparado pelo Santo Padre:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Queridos jovens<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o-vos este caloroso acolhimento! E obrigado pelas vossas perguntas, que nos levam ao \u00e2mago do Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira,&nbsp;<em>sobre o amor<\/em>, interroga-nos sobre o sentido profundo do amor de Deus, que nos foi oferecido pelo Senhor Jesus. Ele mostra-nos at\u00e9 onde chega o amor: at\u00e9 ao dom total de si mesmo, at\u00e9 dar a pr\u00f3pria vida, como contemplamos no mist\u00e9rio do Sud\u00e1rio, quando nele reconhecemos o \u00edcone do \u00ab<em>maior amor<\/em>\u00bb. Mas este dom de n\u00f3s mesmos n\u00e3o deve ser imaginado como um raro gesto her\u00f3ico nem reservado para qualquer ocasi\u00e3o excepcional. Com efeito, poder\u00edamos correr o risco de cantar o amor, de sonhar o amor, de aclamar o amor&#8230; sem nos deixarmos tocar nem envolver por ele! A grandeza do amor revela-se ao cuidar de quem necessita, com fidelidade e paci\u00eancia; portanto, \u00e9 grande no amor quem sabe tornar-se pequeno para os outros, como Jesus, que se fez servo. Amar significa estar pr\u00f3ximo, tocar a carne de Cristo nos pobres e nos \u00faltimos, abrir \u00e0 gra\u00e7a de Deus as necessidades, os apelos, as solicitudes das pessoas que nos circundam. Ent\u00e3o o amor de Deus entra, transforma e torna grandes as coisas pequenas, torna-as sinal da sua presen\u00e7a. S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco \u00e9 o nosso mestre precisamente pela sua capacidade de amar e de educar a partir da proximidade, que ele vivia com os adolescentes e os jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz desta transforma\u00e7\u00e3o, fruto do amor, podemos responder \u00e0 segunda pergunta, sobre a&nbsp;<em>desconfian\u00e7a na vida<\/em>. A falta de emprego e de perspectivas para o futuro certamente contribui para impedir o pr\u00f3prio movimento da vida, colocando muitos na defensiva: pensar em si mesmo, gerir tempo e recursos em fun\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio bem, limitar os riscos de qualquer generosidade&#8230; S\u00e3o todos sintomas de uma vida reprimida, conservada a todo o custo e que, por fim, pode levar tamb\u00e9m \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o e ao cinismo. Ao contr\u00e1rio, Jesus ensina-nos a percorrer o caminho inverso: \u00abQuem quiser salvar a sua vida, perd\u00ea-la-\u00e1; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salv\u00e1-la-\u00e1\u00bb (<em>Lc<\/em>&nbsp;9, 24). Isso significa que n\u00e3o devemos esperar circunst\u00e2ncias externas favor\u00e1veis para nos p\u00f4r em jogo, pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 empregando a vida \u2014 cientes de a perder! \u2014 criamos para os outros e para n\u00f3s as condi\u00e7\u00f5es de uma confian\u00e7a nova no futuro. E aqui o pensamento vai de modo espont\u00e2neo a um jovem que realmente empregou assim a sua vida, a ponto de se tornar um modelo de confian\u00e7a e de aud\u00e1cia evang\u00e9lica para as jovens gera\u00e7\u00f5es da It\u00e1lia e do mundo: o beato Pier Giorgio Frassati. Um seu lema era: \u00abViver, n\u00e3o ir vivendo!\u00bb. Este \u00e9 o caminho para poder experimentar na plenitude a for\u00e7a e a alegria do Evangelho. Assim n\u00e3o s\u00f3 encontrareis novamente confian\u00e7a no futuro, mas conseguireis gerar esperan\u00e7a entre os vossos amigos e nos ambientes nos quais viveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma grande paix\u00e3o de Pier Giorgio Frassati era a amizade. E a vossa terceira pergunta era precisamente:&nbsp;<em>como viver a amizade de forma aberta, capaz de transmitir a alegria do Evangelho?<\/em>&nbsp;Soube que esta pra\u00e7a na qual nos encontramos, nas noites de sexta-feira e de s\u00e1bado, \u00e9 muito frequentada por jovens. Isso acontece em todas as nossas cidades e aldeias. Penso que tamb\u00e9m alguns de v\u00f3s se encontram aqui ou noutras pra\u00e7as com os vossos amigos. E ent\u00e3o fa\u00e7o-vos uma pergunta: \u2014 cada um pense e responda dentro de si mesmo \u2014 naqueles momentos quando estais em companhia, conseguis fazer \u00abtransparecer\u00bb a vossa amizade com Jesus nas atitudes, no modo de vos comportardes? Pensais v\u00f3s alguma vez, tamb\u00e9m no tempo livre, na divers\u00e3o, que sois pequenos ramos apegados \u00e0 Videira que \u00e9 Jesus? Garanto-vos que pensando com f\u00e9 nesta realidade, sentireis correr em v\u00f3s a \u00ablinfa\u00bb do Esp\u00edrito Santo, e produzireis fruto, quase sem vos dar conta: sabereis ser corajosos, pacientes, humildes, capazes de compartilhar, mas tamb\u00e9m de vos diferenciar, de vos alegrar com quem jubila e de chorar com quantos choram, sabereis amar quem n\u00e3o vos ama, respondereis ao mal com o bem. E assim anunciareis o Evangelho!<\/p>\n\n\n\n<p>Os Santos e as Santas de Turim ensinam-nos que cada renova\u00e7\u00e3o, inclusive da Igreja, passa atrav\u00e9s da nossa convers\u00e3o pessoal, atrav\u00e9s da abertura de cora\u00e7\u00e3o que acolhe e reconhece as surpresas de Deus, impulsionados pelo&nbsp;<em>maior amor<\/em>&nbsp;(cf.&nbsp;<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 14), que nos torna amigos tamb\u00e9m das pessoas s\u00f3s, sofredoras e marginalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Queridos jovens, juntamente com estes irm\u00e3os e irm\u00e3s maiores que s\u00e3o os Santos, na fam\u00edlia da Igreja n\u00f3s temos uma M\u00e3e, n\u00e3o o esque\u00e7amos! Fa\u00e7o votos a fim de que vos confieis a esta M\u00e3e carinhosa, que indicou a presen\u00e7a do \u00ab<em>maior amor<\/em>\u00bb precisamente no meio dos jovens, numa festa de n\u00fapcias. Nossa Senhora \u00ab\u00e9 a amiga sempre sol\u00edcita para que n\u00e3o falte o vinho na nossa vida\u00bb (Exort. apost.&nbsp;<em>Evangelii gaudium<\/em>, 286). Rezemos para que n\u00e3o nos deixe faltar o vinho da alegria!<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado a todos v\u00f3s. Deus vos aben\u00e7oe a todos. E, por favor, rezai por mim.<br \/><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u00a9 Copyright &#8211; Libreria Editrice Vaticana<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENCONTRO COM OS JOVENS DISCURSO DO SANTO PADRE Pra\u00e7a VittorioDomingo, 21 de Junho de 2015 [ Obrigado Chiara, Sara e Luigi. Obrigado porque as perguntas s\u00e3o sobre o tema das tr\u00eas palavras do Evangelho de Jo\u00e3o que acab\u00e1mos de ouvir: amor, vida, amigos. Tr\u00eas palavras que no texto de Jo\u00e3o se cruzam, e uma explica &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=1064\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Visita Pastoral do Papa Francisco a Turim&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1065,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-1064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papas"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1064"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1070,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1064\/revisions\/1070"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1065"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}