{"id":123,"date":"2010-10-14T23:18:11","date_gmt":"2010-10-15T02:18:11","guid":{"rendered":"http:\/\/victormellao.com.br\/piergiorgio\/?p=123"},"modified":"2010-10-14T23:18:11","modified_gmt":"2010-10-15T02:18:11","slug":"o-pensamento-a-servico-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=123","title":{"rendered":"O pensamento a servi\u00e7o da vida"},"content":{"rendered":"<div><em>Martin Stanislas Gillet<\/em><\/div>\n<p>Em 1922 e 1923, encontrando-me  em Turim  para a festa do centen\u00e1rio de S. Domingos, tive oportunidade  de conhecer,  durante as fun\u00e7\u00f5es sagradas que se desenvolviam  solenemente, alguns universit\u00e1rios  da Terceira Ordem Dominicana.<\/p>\n<p>Todos  simp\u00e1ticos, por\u00e9m um me impressionou por um seu fasc\u00ednio  especial. Um porte  ereto, o olhar l\u00edmpido, o semblante de quem pode  comandar e dominar. De sua  pessoa liberava-se uma for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o  cheia de do\u00e7ura. Chamava-se Pier  Giorgio Frassati.<\/p>\n<p>Nascido  em Turim, aos 6 de abril de 1901, faleceu em 4 de julho de  1925, em pleno  vigor, na v\u00e9spera de sua formatura como engenheiro.  Agora n\u00f3s o apresentamos  aos nossos jovens franceses, para que o  reconhe\u00e7am como um deles, e rendam \u00e0  sua mem\u00f3ria o culto que lhe \u00e9  devido.<\/p>\n<p>Porque  Pier Giorgio fazia manifestadamente parte daquele eleito grupo  de jovens que se  encontra hoje, um pouco em cada centro universit\u00e1rio,  que tem, com a nostalgia  do sobrenatural, verdadeiro temperamento de  ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p>A  religi\u00e3o sempre significa para eles uma doutrina de vida, junto \u00e0 luz  e for\u00e7a,  que deve iluminar e fecundar a atividade humana por inteiro.  Nada deve sair de  seu dom\u00ednio, e ao contr\u00e1rio, tudo ela pode abranger,  expandindo-se. Pier Giorgio teve apenas o tempo de ser um estudante;   mas j\u00e1 nele se manifestava o homem que teria sido um dia, n\u00e3o  precisamente um  intelectual, mas um homem capaz de colocar toda sua  vida a servi\u00e7o de seus  ideais, acima de tudo um homem de a\u00e7\u00e3o, decidido  a colocar todas as suas id\u00e9ias  a servi\u00e7o da sua vida.<\/p>\n<p>Por  a\u00e7\u00e3o, esse jovem entendia a\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica; e estendia esse dom\u00ednio  tanto \u00e0 vida  interior quanto \u00e0s obras exteriores; \u00e0 vida pessoal como \u00e0  familiar e social.<\/p>\n<p>Agir  era para ele sobretudo viver, portanto, pensar, sentir, amar,  prover-se com  todas as fontes e todos os\u00a0 impulsos da  natureza e da  gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O  centro da a\u00e7\u00e3o estava nele, nas profundezas de sua alma, <em>de cora\u00e7\u00e3o para cora\u00e7\u00e3o<\/em> com o Deus de amor, cuja presen\u00e7a o  inebriava. L\u00e1 ele encontrava a  alegria de viver e aos 24 anos encontrou a for\u00e7a  de morrer.<\/p>\n<p>Em  toda a vida de estudante, foi um jovem puro; a piedade por\u00e9m n\u00e3o lhe  apagou  nunca a chama do olhar, n\u00e3o lhe obscureceu a fronte, n\u00e3o  extinguiu o sorriso de  seu semblante. Ao contr\u00e1rio, tudo nele brilhava  de alegria, porque deixava a  sua bela natureza florir ao sol de Deus.<\/p>\n<p>Todos  os sentimentos que fazem vibrar o cora\u00e7\u00e3o, na inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3,  encontravam  hospitalidade no seu, em espontaneidade e generosidade sem  igual. Amava em  primeiro lugar sua fam\u00edlia, sofria em ter de deix\u00e1-la,  exultava ao regressar.<\/p>\n<p>Espalhava  alegria. Seu pai encontrava alivio dos afazeres pol\u00edticos ao  compartilhar com  suas brincadeiras. Sua m\u00e3e, que ele amava ternamente,  guardava no cora\u00e7\u00e3o suas  palavras.<\/p>\n<p>Como  \u00e0 sua fam\u00edlia, com o mesmo \u00edmpeto amou a p\u00e1tria. E porque n\u00e3o a  teria amado sua  alma sens\u00edvel e delicada que se sentia devedora de  tudo? N\u00e3o havia ela dado \u00e0  Igreja e ao mundo o maior pensador, Tom\u00e1s de  Aquino; o maior poeta, Dante e na  pl\u00eaiade de artistas, o mais  espiritual e popular pintor, fra Ang\u00e9lico? N\u00e3o se  confundia talvez a  hist\u00f3ria do mundo civil com a hist\u00f3ria de seu pa\u00eds, e por  duas vezes,  antes e depois de Jesus Cristo, n\u00e3o tinha sido e n\u00e3o era talvez  ainda  Roma sua capital?<\/p>\n<p>Pier Giorgio considerava a p\u00e1tria como o prolongamento  da fam\u00edlia e a  Igreja como a expans\u00e3o da p\u00e1tria, no mundo espiritual. Esses  afetos n\u00e3o  se opunham em seu cora\u00e7\u00e3o, mas se harmonizavam e ganhavam for\u00e7a  reciprocamente.<\/p>\n<p>Amava  a m\u00e3e de todos: a Igreja. Teria dado a vida de bom grado por ela.<\/p>\n<p>E  na Igreja, as almas o atraiam, sobretudo as dos necessitados. Nas  p\u00e1ginas que  lhe s\u00e3o dedicadas, se l\u00eaem particularidades comoventes a  respeito de seu  relacionamento com os pobres. Aos famintos dava o pouco  que tinha; aos privados  de afeto dava o cora\u00e7\u00e3o; aos desgra\u00e7ados que  ignoravam tudo que vem de Deus e  viviam na solid\u00e3o espiritual, dava o  exemplo do justo que vive sua f\u00e9 e os  direcionava a Deus para que Ele  os saciasse.<\/p>\n<p>Na  idade em que as paix\u00f5es fervem no cora\u00e7\u00e3o dos jovens e amea\u00e7am  romper os freios,  Pier Giorgio concentrava no seu todas as for\u00e7as vivas  e as equilibrava.<\/p>\n<p>Dia a dia, diante de Deus e diante dos homens,  aprendia a vencer-se e  dominar-se. Poderia se dizer que, sem se aperceber,  preparava-se para a  miss\u00e3o de comandante, se \u00e9 verdade que para se saber  conduzir os  outros \u00e9 necess\u00e1rio antes de tudo saber conduzir a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>E um dia, um mal inesperado fulminou este  jovem, t\u00e3o s\u00f3lido, t\u00e3o  equilibrado, t\u00e3o vivo, e as ascens\u00f5es espirituais foram  interrompidas  de um golpe. N\u00e3o ! Antes, morrendo, ele galgou em um instante a   distancia que o separava de Deus: <em>trocou  a terra pelo c\u00e9u<\/em>.<\/p>\n<p>Os  des\u00edgnios de Deus s\u00e3o incompreens\u00edveis,porque v\u00ea as coisas de muito  mais alto e  mais longe que n\u00f3s, no todo e no particular.<\/p>\n<p>Por\u00e9m,  nos \u00e9 permitido pensar que, chamando Pier Giorgio para Si, no  momento em que  todos que o conheciam colocavam nele tantas esperan\u00e7as,  Deus tenha querido que  sua morte inesperada e repentina colocasse em  relevo a beleza excepcional de  sua vida, e atra\u00edsse a aten\u00e7\u00e3o dos  jovens que pudessem se inspirar nele.<\/p>\n<p>Pensando  assim, Pier Giorgio se tornou seu comandante. Sua a\u00e7\u00e3o rompeu  as cadeias da  morte e sobreviveu a ela. Continua a falar com aqueles  que sabem ouvi-lo e os  exorta a segui-lo.<br \/>\n<em><br \/>\nDefunctus adhuc loquitor.<\/em><\/p>\n<p><em>Prefacio da edi\u00e7\u00e3o francesa da biografia  de Pier Giorgio Frassati, curada por R. P. Marmoiton, s.j., Toulouse 1932.<\/em><\/p>\n<p><em> * Martin Stanislas Gillet foi Mestre Geral   dos Domenicanos de 1929 a 1946. Em seguida elevado a dignidade de Cardeal.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Martin Stanislas Gillet Em 1922 e 1923, encontrando-me em Turim para a festa do centen\u00e1rio de S. Domingos, tive oportunidade de conhecer, durante as fun\u00e7\u00f5es sagradas que se desenvolviam solenemente, alguns universit\u00e1rios da Terceira Ordem Dominicana. Todos simp\u00e1ticos, por\u00e9m um me impressionou por um seu fasc\u00ednio especial. 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