{"id":1526,"date":"2026-06-26T10:00:57","date_gmt":"2026-06-26T13:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=1526"},"modified":"2026-06-26T10:02:20","modified_gmt":"2026-06-26T13:02:20","slug":"laboratorio-da-modernidade-catolicismo-liberalismo-e-poder-operario-nas-trajetorias-de-frassati-gobetti-e-gramsci-1910-1920","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=1526","title":{"rendered":"LABORAT\u00d3RIO DA MODERNIDADE: CATOLICISMO, LIBERALISMO E PODER OPER\u00c1RIO NAS TRAJET\u00d3RIAS DE FRASSATI, GOBETTI E GRAMSCI (1910-1920)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autor:<\/strong> Eduardo Henrique da Silva<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/97100.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"960\" src=\"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/97100.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1527\" srcset=\"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/97100.jpg 720w, https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/97100-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a Turim das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX era desenhada pelas fuma\u00e7as das grandes metal\u00fargicas e pela efervesc\u00eancia das greves oper\u00e1rias, ela emergiu n\u00e3o apenas como o cora\u00e7\u00e3o mec\u00e2nico da It\u00e1lia, mas como o seu mais febril laborat\u00f3rio pol\u00edtico e cultural. A converg\u00eancia hist\u00f3rica entre as trajet\u00f3rias de Pier Giorgio Frassati, Piero Gobetti e Antonio Gramsci revela que, sob o teto cinzento das f\u00e1bricas e o fumo das chamin\u00e9s, processava-se uma das mais ricas disputas intelectuais da Europa. Longe de serem figuras isoladas em suas respectivas trincheiras doutrin\u00e1rias, os tr\u00eas representaram respostas org\u00e2nicas, jovens e intransigentes \u00e0 crise do Estado liberal tradicional e ao avan\u00e7o avassalador do fascismo, usando a infraestrutura oper\u00e1ria e urbana como espa\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. Pier Giorgio Frassati: O Catolicismo Social na Turim das Chamin\u00e9s<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A figura de Pier Giorgio Frassati emerge como o elo de um catolicismo que se recusou a ficar confinado \u00e0s sacristias. Filho da alta burguesia piemontesa \u2014 seu pai, Alfredo Frassati, era o influente fundador do jornal <em>La Stampa<\/em> \u2014, Pier Giorgio escolheu caminhar na dire\u00e7\u00e3o oposta ao isolamento de sua classe. Sua juventude, tragicamente interrompida aos 24 anos em 1925, foi uma resposta direta e encarnada \u00e0s tens\u00f5es sociais de uma cidade dividida entre o grande capital e o proletariado em revolta.<br \/>Frassati compreendeu cedo que a &#8220;quest\u00e3o oper\u00e1ria&#8221; que tirava o sono dos industriais turinenses exigia mais do que o sil\u00eancio complacente da velha pol\u00edtica. Matriculado no curso de Engenharia Mec\u00e2nica na Escola Polit\u00e9cnica de Turim com o objetivo expl\u00edcito de &#8220;trabalhar entre os mineiros e oper\u00e1rios&#8221;, ele transformou sua f\u00e9 em a\u00e7\u00e3o militante nas periferias mais vulner\u00e1veis da cidade. Era nos bairros oper\u00e1rios, ali onde Maurizio Antonioli e Luigi Fiori identificaram a raiz do sindicalismo e da resist\u00eancia anarquista, que Pier Giorgio passava seus dias.<br \/>A transi\u00e7\u00e3o de Frassati para o universo dos trabalhadores se dava no corpo a corpo: ele abria m\u00e3o de seus recursos familiares para garantir o sustento, medicamentos e carv\u00e3o para as fam\u00edlias dos oper\u00e1rios afetados pelas crises de desemprego p\u00f3s-Primeira Guerra Mundial. Longe de ser um assistencialismo passivo, sua ativismo na Confer\u00eancia de S\u00e3o Vicente de Paulo e na Juventude Cat\u00f3lica estava sintonizado com os ventos do catolicismo social da enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em>. Para Pier Giorgio, a mis\u00e9ria das habita\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de Turim n\u00e3o era uma fatalidade, mas uma injusti\u00e7a que exigia uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>Essa imers\u00e3o no cotidiano dos trabalhadores colocou Frassati em rota de colis\u00e3o direta com a rea\u00e7\u00e3o esquadrista que avan\u00e7ava sobre Turim a partir de 1922. Enquanto a burguesia tradicional flertava com Mussolini para conter o &#8220;perigo vermelho&#8221; das ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1brica, Frassati usava sua voz no Partido Popular Italiano (PPI) para denunciar a viol\u00eancia fascista. Ele entendia que o esmagamento das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e a destrui\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos cat\u00f3licos eram duas faces da mesma engrenagem autorit\u00e1ria.<br \/>Sua presen\u00e7a nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua em Turim era marcada pela coragem f\u00edsica. N\u00e3o foram poucas as vezes em que enfrentou a pol\u00edcia e os esquadristas para defender o direito de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores cat\u00f3licos e estudantes da <em>Federazione Universitaria Cattolica Italiana<\/em> (FUCI). Quando a morte o levou em julho de 1925, v\u00edtima de uma poliomielite provavelmente contra\u00edda nos corti\u00e7os onde prestava assist\u00eancia, a imagem que ficou gravada na hist\u00f3ria de Turim n\u00e3o foi a do filho do diretor do <em>La Stampa<\/em>, mas a do cortejo f\u00fanebre monumental: milhares de oper\u00e1rios, desempregados e fam\u00edlias pobres tomaram as ruas da cidade para carregar o caix\u00e3o daquele que, mesmo vindo do pal\u00e1cio, escolheu o ch\u00e3o de f\u00e1brica e a lama das periferias (FRASSATI, 2014).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Piero Gobetti: A Heresia Liberal e o Sangue da Modernidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o catolicismo social de Pier Giorgio Frassati se traduzia nas ruas e nas periferias atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o assistencial e militante, a juventude de Piero Gobetti \u2014 falecido tragicamente aos 24 anos, em 1926 \u2014 foi um vendaval de tinta, editoria e provoca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que desafiou tanto o conservadorismo liberal quanto a ascens\u00e3o violenta do fascismo. Gobetti n\u00e3o vinha do ch\u00e3o de f\u00e1brica, mas das fileiras da Faculdade de Direito da Universidade de Turim. No entanto, o seu olhar de jovem intelectual n\u00e3o se voltou para os sal\u00f5es da burguesia tradicional, mas para os conselhos oper\u00e1rios do <em>Biennio Rosso<\/em> (1919-1920). Onde os liberais tradicionais viam caos e amea\u00e7a \u00e0 ordem p\u00fablica, Gobetti enxergava o nascimento de uma nova aristocracia espiritual e pol\u00edtica, capaz de renovar uma It\u00e1lia carcomida pelo transformismo pol\u00edtico.<br \/>Em sua obra-prima, <em>La Rivoluzione Liberale<\/em>, ele sintetizou essa leitura original\u00edssima ao apontar que a revolu\u00e7\u00e3o industrial em Turim havia criado um povo de oper\u00e1rios que, na luta cotidiana pela f\u00e1brica, aprendera a autogovernar-se, tornando o movimento oper\u00e1rio o verdadeiro herdeiro do <em>Risorgimento<\/em> (GOBETTI, 2008). Para Gobetti, o verdadeiro liberalismo n\u00e3o era a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios econ\u00f4micos, mas a capacidade de um povo conquistar sua autonomia atrav\u00e9s da luta e do conflito criativo.<br \/>\u00c9 sob essa \u00f3tica que se consolida sua surpreendente aproxima\u00e7\u00e3o com Antonio Gramsci e o grupo do <em>L&#8217;Ordine Nuovo<\/em>. Como bem aponta o historiador Paolo Spriano (1977), essa alian\u00e7a n\u00e3o era ideol\u00f3gica \u2014 j\u00e1 que Gobetti recha\u00e7ava o determinismo marxista \u2014, mas sim um diagn\u00f3stico compartilhado: ambos entendiam que a renova\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia dependia da capacidade de autogoverno e da cultura das massas turinenses.<br \/>Se Maurizio Antonioli e Luigi Fiori documentam a resist\u00eancia anarquista e sindical nos bairros oper\u00e1rios como a Barriera di Milano, Gobetti fez das suas revistas \u2014 <em>Energia Nova<\/em>, <em>La Rivoluzione Liberale<\/em> e <em>Il Baretti<\/em> \u2014 aut\u00eanticas trincheiras intelectuais contra o conformismo italiano. Ele transformou o ato de editar livros em uma forma de insurg\u00eancia civil, conectando-se \u00e0s redes de oposi\u00e7\u00e3o que circulavam pela elite cultural da cidade. Essa intransig\u00eancia intelectual fez dele um dos alvos mais odiados pelo regime de Benito Mussolini. As agress\u00f5es fascistas foram implac\u00e1veis. Em 1924, ap\u00f3s ser brutalmente espancado por esquadristas na sa\u00edda de sua resid\u00eancia em Turim, sua sa\u00fade deteriorou-se rapidamente, culminando em seu ex\u00edlio for\u00e7ado e morte em Paris, em fevereiro de 1926. Norberto Bobbio (1986), refletindo sobre o impacto do jovem editor, define o legado de Gobetti como um &#8220;liberalismo do movimento&#8221;, uma heresia pol\u00edtica que ensinou que a liberdade exige coragem, sacrif\u00edcio e, acima de tudo, cultura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. Antonio Gramsci: O C\u00e9rebro de Turim e a Nova Ordem de F\u00e1brica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi Antonio Gramsci quem deu \u00e0 for\u00e7a trabalhadora de Turim uma teoria, uma dire\u00e7\u00e3o e um \u00f3rg\u00e3o de express\u00e3o que mudaria a hist\u00f3ria da esquerda europeia. Chegado \u00e0 cidade em 1911 vindo da Sardenha profunda, o jovem estudante de filologia encontrou na capital do Piemonte n\u00e3o apenas o rugido das turbinas industriais, mas o seu verdadeiro laborat\u00f3rio pol\u00edtico. Turim n\u00e3o era apenas um cen\u00e1rio para Gramsci; era a &#8220;Petrogrado italiana&#8221;, o epicentro de onde deveria surgir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria.<br \/>Em maio de 1919, ao lado de Palmiro Togliatti, Angelo Tasca e Umberto Terracini, Gramsci fundou a revista <em>L&#8217;Ordine Nuovo<\/em>. O peri\u00f3dico n\u00e3o nasceu para ser apenas mais uma folha doutrin\u00e1ria, mas a voz te\u00f3rica e pr\u00e1tica daquilo que se passava no ch\u00e3o das oficinas da FIAT-Centro e da Lancia. Foi nas p\u00e1ginas dessa revista que tomou forma o conceito dos Conselhos de F\u00e1brica (<em>Consigli di Fabbrica<\/em>), \u00f3rg\u00e3os eleitos diretamente pelos oper\u00e1rios que, na vis\u00e3o gramsciana, deveriam transcender os sindicatos tradicionais e se tornar as c\u00e9lulas de um novo Estado dos produtores (GRAMSCI, 1987).<br \/>Essa profunda imers\u00e3o no cotidiano oper\u00e1rio de Turim \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do seu pensamento no per\u00edodo do <em>Biennio Rosso<\/em> (1919-1920). Gramsci sintetizou o papel transformador da f\u00e1brica turinense ao defender que o Conselho de F\u00e1brica transformava a oficina em um espa\u00e7o de autogoverno, onde o trabalhador se descobria produtor, criador de hist\u00f3ria e cidad\u00e3o de uma nova ordem. Essa perspectiva te\u00f3rica dialoga diretamente com as pesquisas de Maurizio Antonioli sobre o sindicalismo revolucion\u00e1rio e as an\u00e1lises de Luigi Fiori sobre a radicalidade dos bairros industriais como San Donato e Barriera di Milano. Para Gramsci, a greve geral dos &#8220;ponteiros de metal&#8221; em abril de 1920 e a posterior ocupa\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas em setembro daquele ano n\u00e3o eram motins desordenados, mas o ponto de matura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de uma classe que j\u00e1 sabia como gerir a produ\u00e7\u00e3o sem a necessidade da burguesia.<br \/>A experi\u00eancia dos conselhos de Turim, contudo, foi isolada pelo restante da It\u00e1lia e pelo reformismo do Partido Socialista (PSI) \u2014 o que precipitaria a cis\u00e3o de Livorno em 1921 e o nascimento do Partido Comunista da It\u00e1lia (PCdI) sob a lideran\u00e7a do pr\u00f3prio Gramsci. O esmagamento do movimento oper\u00e1rio turinense abriu as portas para a rea\u00e7\u00e3o esquadrista. Como bem destaca o historiador Paolo Spriano (1967), a Turim de Gramsci foi o \u00fanico momento em que a teoria marxista se fundiu de forma org\u00e2nica e em grande escala com a pr\u00e1tica de uma classe oper\u00e1ria altamente especializada. Anos mais tarde, encarcerado nas pris\u00f5es de Mussolini, ao escrever os seus <em>Cadernos do C\u00e1rcere<\/em>, muitas das reflex\u00f5es sobre a &#8220;hegemonia cultural&#8221; e o papel dos &#8220;intelectuais org\u00e2nicos&#8221; seriam devedoras diretas daquela juventude passada entre as fuma\u00e7as, o suor e a intelig\u00eancia t\u00e9cnica dos metal\u00fargicos de Turim.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. Conclus\u00e3o: Turim como Sentinela da Modernidade Italiana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A converg\u00eancia hist\u00f3rica entre as trajet\u00f3rias e os pensamentos de Pier Giorgio Frassati, Piero Gobetti e Antonio Gramsci revela que o am\u00e1lgama que une essas tr\u00eas vozes aparentemente dissonantes \u00e9 a centralidade que os tr\u00eas atribu\u00edram ao novo sujeito social nascido da industrializa\u00e7\u00e3o. Turim forced um di\u00e1logo in\u00e9dito entre intelectuais cat\u00f3licos, liberais radicais e marxistas, todos unidos pelo diagn\u00f3stico comum de que a velha ordem giolittiana estava esgotada e que o fascismo era a &#8220;biografia da na\u00e7\u00e3o&#8221; \u2014 a express\u00e3o m\u00e1xima das covardias e acomoda\u00e7\u00f5es das elites tradicionais (BAGNOLI, 1984).<br \/>A trag\u00e9dia que uniu o destino desses tr\u00eas jovens \u2014 a morte prematura de Frassati aos 24 anos consumido pela doen\u00e7a contra\u00edda nas periferias (1925), o ex\u00edlio e a morte de Gobetti tamb\u00e9m aos 24 anos ap\u00f3s o espancamento fascista (1926), e o lento mart\u00edrio de Gramsci nos c\u00e1rceres de Mussolini \u2014 sela o fim de um dos per\u00edodos mais luminosos da intelig\u00eancia italiana. O esmagamento da Turim dos conselhos e das revistas de vanguarda abriu caminho para a noite totalit\u00e1ria, mas n\u00e3o apagou as sementes lan\u00e7adas por aquela gera\u00e7\u00e3o.<br \/>Como sintetiza Norberto Bobbio (1986) em seu balan\u00e7o sobre a cultura piemontesa, o legado dessa tr\u00edade turinense reside na li\u00e7\u00e3o de que a liberdade, a justi\u00e7a social e a renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o s\u00e3o concess\u00f5es de governos, mas conquistas da cultura, da organiza\u00e7\u00e3o e do sacrif\u00edcio coletivo. Ao unirmos o rigor documental de Paolo Spriano (1960) sobre o ch\u00e3o de f\u00e1brica \u00e0 sensibilidade biogr\u00e1fica de Luciana Frassati (2014), compreendemos que a Turim dos anos 1920 legou \u00e0 modernidade n\u00e3o apenas autom\u00f3veis e patentes industriais, mas um modelo de resist\u00eancia intelectual e compromisso \u00e9tico que continuaria a iluminar a reconstru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da It\u00e1lia no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANTONIOLI, Maurizio. <strong>Azione direta e sindacalismo rivoluzionario in Italia<\/strong>. Manduria: Lacaita, 1990.<br \/>BAGNOLI, Paolo. <strong>Il problema Gobetti<\/strong>. Floren\u00e7a: Leo S. Olschki, 1984.<br \/>BAGNOLI, Paolo. <strong>Gramsci e i problemi da Torino<\/strong>. Mil\u00e3o: FrancoAngeli, 1989.<br \/>BEDESCHI, Lorenzo. <strong>Il modernismo cattolico<\/strong>: elementi d&#8217;una storia radicale. Mil\u00e3o: Feltrinelli, 1970.<br \/>BOBBIO, Norberto. <strong>Italia civile<\/strong>: Croce, Gobetti, Calogero, Capitini. Floren\u00e7a: Passigli, 1986.<br \/>BOBBIO, Norberto. <strong>Profilo ideologico del Novecento italiano<\/strong>. Turim: Einaudi, 1986.<br \/>CLARK, Martin. <strong>Antonio Gramsci and the Revolution that Failed<\/strong>. New Haven: Yale University Press, 1975.<br \/>FRASSATI, Luciana. <strong>Mio fratello Pier Giorgio<\/strong>. Cantalupa (Torino): Effat\u00e0 Editrice, 2014.<br \/>GOBETTI, Piero. <strong>La Rivoluzione Liberale<\/strong>: saggio sulla lotta politica in Italia. Turim: Einaudi, 2008.<br \/>GRAMSCI, Antonio. <strong>L\u2019Ordine Nuovo: 1919-1920<\/strong>. Editado por Valentino Gerratana. Turim: Einaudi, 1987.<br \/>SPRIANO, Paolo. <strong>Torino operaia nella grande guerra (1914-1918)<\/strong>. Turim: Einaudi, 1960.<br \/>SPRIANO, Paolo. <strong>Storia del Partito Comunista Italiano<\/strong>. Vol. I: Da Bordiga a Gramsci. Turim: Einaudi, 1967.<br \/>SPRIANO, Paolo. <strong>Gramsci e Gobetti<\/strong>. Turim: Einaudi, 1977.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Eduardo Henrique da Silva 1. Introdu\u00e7\u00e3o Se a Turim das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX era desenhada pelas fuma\u00e7as das grandes metal\u00fargicas e pela efervesc\u00eancia das greves oper\u00e1rias, ela emergiu n\u00e3o apenas como o cora\u00e7\u00e3o mec\u00e2nico da It\u00e1lia, mas como o seu mais febril laborat\u00f3rio pol\u00edtico e cultural. 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