{"id":164,"date":"2010-10-15T20:59:01","date_gmt":"2010-10-15T23:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/victormellao.com.br\/piergiorgio\/?p=164"},"modified":"2011-01-06T16:36:02","modified_gmt":"2011-01-06T19:36:02","slug":"anatocoes-para-um-panorama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/?p=164","title":{"rendered":"Anota\u00e7\u00f5es para um panorama"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/PG_22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-311\" title=\"Pier Giorgio Frassati\" src=\"http:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/PG_22-213x300.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/PG_22-213x300.jpg 213w, https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/PG_22-727x1024.jpg 727w, https:\/\/www.piergiorgio.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/PG_22.jpg 1137w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a>Luciana Frassati<\/p>\n<p>Um personagem sem lampejos. O romantismo nos acostumou aos gestos absolutos, \u00e0 ret\u00f3rica do hero\u00edsmo moral e espiritual. O cinza no entanto \u00e9 a cor de hoje. E o cinza por fim torna-se esplendido, como o cansa\u00e7o constante de um oper\u00e1rio ou, no seu caso, a obra tenaz de sua caridade.<br \/>\nAs suas cartas, imprevis\u00edveis. Mais uma vez, para certos versos \u00e9 in\u00fatil colocar na cabe\u00e7a o absoluto do texto. A desesperada afirma\u00e7\u00e3o de cat\u00f3lica felicidade: \u201c N\u00e3o posso n\u00e3o ser feliz\u201d. \u00c9 dif\u00edcil resistir a certas cartas.<br \/>\nE por fim, nos erros resulta um estilo, ainda mais que isso, um tipo de col\u00f3quio, uma voz. Sente-se um arrepio porque o contato \u00e9 direto: pele com pele.<br \/>\n\u00c9 mais dif\u00edcil esconder a caridade do que faz\u00ea-la.<br \/>\nOs rostos estupefatos de quem n\u00e3o sabia nada e se encontrou diante de seu funeral. Talvez, por um instante, algu\u00e9m pensou que toda aquela gente foi ali chamada por um sobrenome. E, no entanto, o foi por um nome.<br \/>\nE seu dinheiro? Todo o dinheiro que distribuiu para os pobres e amigos de Turim?<br \/>\n\u00c9, segundo o que penso, o grande mist\u00e9rio de sua vida. Como na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es: centavos em liras. Dezenas e milhares.<br \/>\nSuportar a mediocridade. A pior mediocridade \u00e9 a de quem n\u00e3o a admite ou n\u00e3o a percebe. Suportar aquela. Para mim, sua vida j\u00e1 est\u00e1 conclu\u00edda.<br \/>\nQuem o fez fazer? Quem sabe quantos j\u00e1 fizeram essa pergunta. Eu mesmo. Parece uma veia aberta, uma festa. Todavia, eis aqui. Compreendido isso, estamos com um bom caminho andado.<br \/>\nTalvez o tenha feito por todos aqueles com quem conviveu: m\u00e3e, pai, irm\u00e3, amigos. Uma decis\u00e3o l\u00f3gica, talvez, mais s\u00f3lida que uma voca\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo \u00e9 dif\u00edcil parecer um dos muitos e ser um dos poucos!<br \/>\nFoi um erro real\u00e7ar seus gestos, deixando em silencio sua alma.<br \/>\nN\u00e3o se pensou que a \u201cm\u00e3e de Pier Giorgio\u201d tinha naquela \u00e9poca muitas rivais. Entre as quais a \u201cm\u00e3e de Mussolini\u201d.<br \/>\nUma profunda prova de confian\u00e7a na vida: cantava, mesmo sendo assustadoramente desafinado.<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil esquecer um amor verdadeiro; dif\u00edcil um falso, imposs\u00edvel um errado e solit\u00e1rio.<br \/>\nCompreendia e perdoava sempre. Deus nos ajude a fazer isso uma vez ou duas pelo menos em nossa vida.<br \/>\nEra t\u00e3o pouco burgu\u00eas que n\u00e3o se preocupava com a mis\u00e9ria, a sujeira, a crueldade e hipocrisia dos pobres.<br \/>\nO silencio diante do sofrimento e da morte, todos temos em mente, poucos na fala e nas a\u00e7\u00f5es. E isso me fez parecer vil a ponto de ressurgir (por aquele preciso instante que dura a ressurrei\u00e7\u00e3o de um homem normal) diante da hist\u00f3ria de sua morte.<br \/>\nEstamos na mesma. Tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o a ele os homens confundiram inocentemente humildade com pobreza de esp\u00edrito, do\u00e7ura com dem\u00eancia.<br \/>\nFoi uma agencia de coloca\u00e7\u00e3o religiosa, com muitos clientes n\u00e3o religiosos.<br \/>\nPor que tantas agendas? Por que tantos n\u00fameros? Por que tantas listas de palavras iguais? Para quem eram as contas que fazia todos os dias?<br \/>\nEis o di\u00e1rio que instrui os fatos de uma alma.<br \/>\nFoi feliz alguma vez? Esta pergunta angustia fatalmente, no decorrer de sua vida.<br \/>\nTodas as suas energias, todos seus modos de ser estavam t\u00e3o voltados e dedicados aos outros, que eu penso a sua felicidade como sendo sua exist\u00eancia.<br \/>\nUma felicidade exaustiva, que previa naturalmente a felicidade da n\u00e3o exist\u00eancia, a morte e Deus.<br \/>\nApenas uma barreira para mim: a montanha. Eu n\u00e3o a compreendo, como n\u00e3o enxergo \u00e0 noite. E ent\u00e3o surgem tamb\u00e9m certas interpreta\u00e7\u00f5es de ascens\u00e3o, de subir na dire\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/>\nNa dire\u00e7\u00e3o de Deus se sobe, sabia-o bem, tamb\u00e9m descendo na mina. Se todas as subidas fossem eleva\u00e7\u00f5es!<br \/>\nN\u00e3o tinha medo de nada, nem mesmo do medo.<br \/>\nFalem-me um pouco da morte, mas n\u00e3o assim. Calmos, tranq\u00fcilos, como se falassem de flores ou de coisas insignificantes, assim como ele fazia, sem esfor\u00e7o&#8230; Ent\u00e3o, compreendido agora que \u00e9 imposs\u00edvel?<\/p>\n<p>Extra\u00eddo de Luciana Frassati, Vida e imagens, Sigla Effe, Genova 1959.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciana Frassati Um personagem sem lampejos. O romantismo nos acostumou aos gestos absolutos, \u00e0 ret\u00f3rica do hero\u00edsmo moral e espiritual. O cinza no entanto \u00e9 a cor de hoje. E o cinza por fim torna-se esplendido, como o cansa\u00e7o constante de um oper\u00e1rio ou, no seu caso, a obra tenaz de sua caridade. 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