* Paolo Risso

No dia 20 de maio, celebra-se uma data muito especial para a Igreja: o aniversário da beatificação de Pier Giorgio Frassati, ocorrida no ano de 1990 pelo Papa João Paulo II. Aqueles que o conheceram de perto são unânimes em afirmar que o grande segredo de sua perfeição espiritual deve ser buscado, de modo especial, na sua devoção assídua, sincera, profunda e terníssima à Virgem Maria.
Quem olhasse para Pier Giorgio via um jovem cheio de vida. Ele costumava cruzar a zona rural de Biella montado em seu cavalo “Parsifal”. Pelas ruas de Turim, cercado de amigos, enchia o ambiente com uma algazarra contagiante. Era também um alpinista ágil e forte que escalava os picos dos Alpes, muitas vezes arrastando atrás de si os companheiros mais fracos graças aos seus músculos de aço. Dono de um rosto sempre aberto ao sorriso e à risada estrondosa, era uma figura extremamente simpática e cativante que se fazia amar por todos.
Nascido em Turim no dia 6 de abril de 1901, um sábado santo, Pier Giorgio era filho do senador liberal Alfredo Frassati — dono e diretor do renomado jornal La Stampa e embaixador da Itália em Berlim. Sua sólida e límpida formação cristã veio da influência materna, de seu primeiro instrutor, o salesiano dom Cojazzi, e de seus mestres no Instituto Social dos Padres Jesuítas. Muito cedo, ele descobriu Cristo como seu primeiro e grande Amor, sentindo-se profundamente amado por Ele e impelido a retribuir essa graça com uma afeição extraordinária.
Para Pier Giorgio, a vida era um dom de amor. Cristo transformava tudo ao seu redor e o mobilizava a caminhar por todas as estradas para torná-Lo presente e mudar o mundo. Enquanto se dedicava aos estudos e aos amigos, mantinha uma vida de oração intensa, sempre com o Rosário nas mãos e recebendo a Comunhão diariamente. Ele também teve forte atuação social e política: participava ativamente das Conferências de São Vicente para servir os mais pobres em suas humildes águas-furtadas, integrava o Círculo Universitário Cesare Balbo e era filiado ao recém-nascido Partido Popular, onde lutava pelas classes desfavorecidas e contra o fascismo nascente.
Sua coragem o tornou um verdadeiro líder, respeitado tanto por liberais quanto por socialistas. Os fascistas, por sua vez, o temiam, pois já haviam provado de seus socos terríveis em momentos de confronto. Além disso, Pier Giorgio dedicava suas noites à adoração diante do Tabernáculo, era apaixonado por esportes e ingressou na Ordem Terceira Dominicana no convento de São Domingos, em Turim, adotando o nome de “Frei Girolamo” em homenagem ao mártir Savonarola, com quem partilhava o ideal de reforma espiritual e social.
O segredo por trás de uma trajetória tão marcante era a sua relação filial com Nossa Senhora. Seus amigos relatavam que era impossível lembrar-se dele sem associá-lo ao seu amor à Virgem Santíssima. Oropa era o seu santuário mais querido, localizado a poucos quilômetros de Pollone, terra de sua família. Ele subia até lá inúmeras vezes de madrugada, combinando com o jardineiro para acordá-lo ao amanhecer, e retornava cedo para que ninguém em sua casa notasse sua ausência. Testemunhas da época lembram-se de sua fisionomia transformada pelo amor mariano. Certa vez, o padre redentorista P. Rizzi o encontrou no adro do santuário completamente coberto de neve e lama. Ao ser questionado sobre como havia subido com um tempo tão ruim, Pier Giorgio apenas respondeu com um sorriso infantil. Ele rezava o Rosário sem qualquer tipo de respeito humano ou vergonha, pois aquela era sua oração predileta.
Há relatos marcantes de sua participação na coroação da imagem de Nossa Senhora de Oropa, em 29 de agosto de 1920, quando subiu a montanha a pé cantando ladainhas e comungou bem cedo. Sua irmã, Luciana, recordava que ele irradiava uma alegria contagiante que transparecia em seus atos e palavras, e que sua voz forte dominou o coro dos fiéis após ajudar a carregar a estátua em triunfo. O pároco de Cossato também destacava a beleza de sua oração, dizendo que Pier Giorgio fixava os olhos na imagem da Virgem como se quisesse devorá-la com o olhar. Essa forte ligação estendia-se a outros santuários de Turim, como o da Consolata e o de Nossa Senhora Auxiliadora.
Foi na escola de Maria que ele aprendeu a ser um homem de oração e silêncio, livre, feliz e capaz de testemunhar Cristo mesmo onde Ele era negado ou ofendido. Pier Giorgio cultivava as próprias plantas que davam as sementes escuras usadas para confeccionar seus terços, os quais distribuía aos amigos como convite à oração. Ele rezava de joelhos no chão do quarto após longas jornadas de estudo e cansaço — comovendo até seu pai, que era laico —, ou prostrado de bruços nas vigílias noturnas, bem como no meio das barulhentas excursões com os jovens na montanha. Sua fé também se provou na perseguição: em setembro de 1921, ao ser preso e maltratado pela polícia junto a outros jovens no Congresso da Ação Católica em Roma, ele ergueu o Rosário no pátio do interrogatório e clamou aos companheiros para que rezassem juntos por aqueles que os haviam agredido.
Diferente de muitos jovens de sua época que, inspirados pela literatura da época, buscavam fazer da vida uma “obra-prima” baseada no esteticismo, na violência ou no vício, ou daqueles que se limitavam ao compromisso civil sem Deus, Pier Giorgio fez de sua existência uma obra-prima de Cristo. Ele colocava em prática o conselho de Maria nas Bodas de Caná: “Façam tudo o que Ele vos disser”.
Sua jornada terrena foi breve. Ele faleceu em 4 de julho de 1925, aos 24 anos, vítima de uma poliomielite fulminante contraída justamente enquanto visitava os necessitados em seus cortiços. Seus funerais foram um verdadeiro triunfo popular. Pouco antes de partir, deixou registrada a seguinte frase: “Consegui o que desejava; ninguém mais no mundo poderá tirar-me das mãos de Deus”.
Mais tarde, ao elevá-lo aos altares em 1990, o Papa João Paulo II o definiu como “o jovem das oito bem-aventuranças”, apontando-o para o mundo como o modelo ideal para a juventude moderna. A história de Pier Giorgio Frassati prova que caminhar com Cristo e sob a proteção de Maria não anula a juventude, mas a torna plena, capaz de construir um futuro esplêndido tanto nesta terra quanto na eternidade.
* Leigo dominicano e escritor.
