Eduardo Henrique

Para Pier Giorgio, o Sagrado Coração não era uma devoção estática ou sentimental, mas uma fonte de energia e ação. Ele entendia a promessa de Jesus de transformar os corações e desejava que o seu próprio coração batesse no mesmo ritmo do de Cristo.
Ele costumava dizer que “o sofrimento não é tristeza”, e que o verdadeiro católico deve transbordar alegria. Essa alegria vinha de um esvaziamento de si mesmo para ser preenchido pelo amor divino.
“Jesus me visita todas as manhãs na Comunhão, e eu o visito do modo miserável que posso: visitando os pobres.” — Pier Giorgio Frassati
Ao carregar fardos pesados de carvão para famílias carentes, doar suas roupas ou gastar seu próprio dinheiro de transporte para ajudar os necessitados de Turim, Pier Giorgio estava apenas permitindo que o amor do Coração de Jesus — que ele recebia diariamente na Eucaristia — transbordasse para o próximo.
A Conexão com o Apostolado da Oração
O Apostolado da Oração (hoje conhecido mundialmente como a Rede Mundial de Oração do Papa) nasceu exatamente com a missão de oferecer o dia a dia, os trabalhos, as dores e as alegrias em união com o Oferecimento Diário ao Sagrado Coração de Jesus, rezando pelas intenções da Igreja e do Papa.
Pier Giorgio encarnou perfeitamente os três pilares que sustentavam o movimento e os grupos de jovens católicos da sua época: Oração, Ação e Sacrifício.
- A Oração como Combate: Ele corria para os momentos de adoração noturna ao Santíssimo Sacramento e era frequentemente visto rezando o terço com as contas escondidas no bolso enquanto caminhava pelas ruas ou subia montanhas.
- O Oferecimento Diário: O Apostolado propõe que cada ação do dia se torne uma prece. Frassati fazia exatamente isso: suas trilhas nos Alpes, seus estudos de engenharia de minas, suas discussões políticas e suas visitas aos cortiços eram uma oração contínua. Ele oferecia sua juventude para conquistar almas para Deus.
- O Apostolado do Exemplo: Pier Giorgio arrastava seus amigos. Ele fundou um grupo chamado Tipi Loschi (“Tipos Suspeitos”), que na verdade era uma liga de amigos que iam juntos às montanhas para rezar, partilhar a fé e rir. Ele mostrava que a oração não afastava o jovem da vida real, mas a tornava plena.
O Legado do “Homem das Bem-Aventuranças”
Pier Giorgio faleceu tragicamente aos 24 anos, vítima de uma poliomielite que contraiu justamente ao atender os pobres em seus leitos de miséria. Seu funeral parou a cidade de Turim, revelando uma multidão de necessitados que ele ajudava em segredo.
A sua ligação com o Sagrado Coração de Jesus e o espírito do Apostolado da Oração nos deixam uma lição clara: a oração e a caridade não se anulam; elas dependem uma da outra. Foi bebendo da fonte do Coração aberto de Cristo que esse jovem encontrou forças para viver o seu lema mais famoso, gravado no verso de uma foto tirada nas montanhas:
“Verso l’alto” (Para o alto).
Para ele, subir a montanha física era apenas o reflexo da subida espiritual diária que fazia de mãos dadas com o Coração de Jesus.
