Não Entendemos Imediatamente a Sua Grandeza

A senhora Luciana Frassati, prestes a completar 88 anos (nascida em 18 de agosto de 1902), faz um breve sinal de pausa antes de responder quem era, para ela, seu irmão Pier Giorgio. Em sua sala em Turim, ela busca uma folha com cinco linhas datilografadas que destilam, em forma de poesia recente, a figura do jovem que dedicou sua vontade, engenho e alegria a Deus e ao próximo: «Para mim, tu és dias, minutos e horas / de um horizonte de espaço e tempo / atento em depositar folhagens sombrias / sobre estradas ardentes de enganos onde jaz / a urna fervente de quem não amou». Para Luciana, Pier Giorgio significa um afeto tenaz e correspondido, além de compreensão e segurança.
Casada desde 24 de janeiro de 1925 com o diplomata polonês Jean Gawronski — com quem viajou pelo Velho Continente e teve sete filhos, entre eles o jornalista e eurodeputado Jas —, Luciana tornou-se a biógrafa mais atenta do irmão. Ela publicou inúmeros livros sobre a vida, a fé, a caridade e o compromisso sociopolítico dele, além de reunir pacientemente suas cartas. Ela assegura que fez tudo isso para entender como foi possível que ele se tornasse o Pier Giorgio Frassati conhecido por todos, admitindo que a própria família só descobriu a plenitude cristã do jovem após a sua morte. Pessoalmente, ela nunca suportou os retratos insossos feitos dele no passado, entre as duas guerras mundiais, que não valorizavam sua inteligência e seu envolvimento total nos acontecimentos da época, razão pela qual dedicou mais de cinquenta anos examinando uma santidade que era revestida de naturalidade.
Ao relembrar o cotidiano, Luciana recorda que foram educados sob um estilo austero, típico da época. Embora houvesse amor recíproco entre pais e filhos, as relações domésticas tinham pouco calor, apesar do grande respeito mútuo — ainda que ela, por vezes, tratasse o pai com muita familiaridade e travessura. No ambiente familiar, Pier Giorgio falava pouco ou nada sobre suas ideias e atividades externas. No entanto, os dois irmãos mantinham uma forte cumplicidade, construída pelo fato de terem percorrido praticamente todo o caminho escolar juntos (da escola primária ao liceu). Entre as memórias que restaram daquela época, Luciana recorda com humor o desempenho escolar de ambos: «Ele foi reprovado duas vezes em latim, eu apenas uma», acrescentando que os dois sempre se encobriam quando algo acontecia na sala de aula.

Fonte: Artigo de Alberto Chiara, publicado na revista Famiglia Cristiana, nº 15, 1990.

Copy Protected by Tech Tips's CopyProtect Wordpress Blogs.