A principal relíquia de primeiro grau de São Pier Giorgio Frassati é seu corpo, que está incorrupto.A relíquia do santo – incluindo um fragmento de sua vestimenta – foram levadas a Roma pela Ação Católica e expostas para veneração na Domus Mariae.
Uma celebração especial, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, que ocorreu em 17 de janeiro de 2026, marcando a ocasião.
Em tempos de realidades virtuais, a “concretude” de São Pier Giorgio Frassati orienta o caminho, de acordo com o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin. Presidindo a Missa com a exposição das relíquias de Frassati em Roma, o cardeal resumiu o compromisso do santo na Ação Católica Italiana como oração, ação e sacrifício, uma lógica que contrasta o “domínio” baseado no “direito do mais forte”.
O Papa João Paulo II reza diante de sepultura de Pier Giorgio Frassati no cemitério de Pollone ( Pier Giorgio ainda era Venerável)
Duas picaretas de gelo, dois caminhos diferentes, com perfis de montanhas de imensa beleza ao fundo. Fotografias de épocas diferentes, os lugares também não são os mesmos. Apenas a criação, com o seu fascínio misterioso e envolvente, serve de pano de fundo comum às imagens de dois “jovens” que têm algo verdadeiramente importante a partilhar: a amizade com Cristo. Duas pessoas que cruzaram idealmente as suas vidas: Karol Wojtyła e Pier Giorgio Frassati. O primeiro, Santo Pontífice, cujo centenário de nascimento é celebrado; o segundo, leigo beatificado há trinta anos pelo próprio Papa polaco.
Eles tiveram o seu primeiro ponto de contacto à distância, nos mesmos ambientes dominicanos. Wojtyła tomou conhecimento da figura de Pier Giorgio quando, ainda jovem estudante, ouviu falar dele pelos frades pregadores da sua cidade natal, Wadowice. Desde então, a ligação entre os dois nunca foi interrompida. Contribuiu para isso também a afinidade entre a história de Pier Giorgio — que morreu prematuramente devido a uma poliomielite fulminante contraída durante as suas muitas visitas aos pobres na Turim do início do século XX — e a do irmão mais velho de Wojtyła, Edmund. Ele também morreu em apenas quatro dias devido a uma escarlatina contraída no hospital onde tratava os doentes. Edmund era um médico que, bem consciente dos riscos que corria ao servir os contagiosos, se dedicou de corpo e alma à sua profissão. Pier Giorgio foi vítima do seu incansável amor ao próximo e Edmund não o foi menos. Duas vidas ceifadas pelo desejo de ajudar os outros.
Para Wojtyła, olhar para Pier Giorgio era um pouco como recordar o seu irmão, cujo estetoscópio guardou na sua secretária. Os pontos de encontro entre Karol e o rico burguês de Turim tornaram-se cada vez mais numerosos. As palavras de Frassati — «todos os dias me apaixono cada vez mais pelas montanhas e gostaria, se os meus estudos o permitissem, de passar dias inteiros a contemplar naquela ar puro a grandeza do Criador» — poderiam muito bem ser subscritas pelo Papa polaco.
O amor pelas montanhas e pela criação é comum aos dois e tê-los-ia tornado companheiros solidários e incansáveis na escalada dos picos. Certamente, o sacerdote Wojtyła tê-lo-ia chamado a fazer parte do grupo środowisko, ou seja, “o ambiente”, formado por jovens estudantes que, entre uma esquiada e outra, refletiam sobre a fé e o Evangelho. Um grupo criado quase à semelhança do dos “Tipi loschi” (Tipos Suspeitos) idealizado por Frassati para envolver os seus amigos no amor pela Casa comum e na fé em Cristo, impulsionando-os a agir para tornar os princípios expressões concretas de caridade. O pároco Wojtyła propunha aos estudantes o exemplo de Frassati, leigo terciário dominicano, inscrito nas Conferências de São Vicente e na Federação Universitária Católica Italiana (Fuci), como modelo de cristão empenhado no social e no serviço aos irmãos mais necessitados. Um modelo de vida fiel ao Evangelho que Wojtyła, uma vez nomeado arcebispo de Cracóvia, não deixará de indicar aos jovens, como fez a 27 de março de 1977, durante a inauguração da exposição sobre Pier Giorgio promovida pelos dominicanos. «Frassati — disse naquela ocasião — pode ser considerado, mesmo não tendo ainda subido aos altares, como um patrono, o guia espiritual da juventude académica, mesmo da atual geração». O então cardeal de Cracóvia considerou-o patrono dos jovens, antes mesmo de o processo canónico de beatificação ser concluído. Recordamos que o processo jurídico foi aberto em 1932 pela Igreja de Turim, mas foi muito dificultado e conturbado. Foi suspenso, até ser retomado por Paulo VI, que conhecera pessoalmente Frassati. E foi levado a termo precisamente por João Paulo II, que a 20 de maio de 1990 proclamou beato Pier Giorgio. Sempre durante a inauguração da exposição, o cardeal Wojtyła apresentou a figura de Frassati como «o homem das oito bem-aventuranças, que traz consigo a graça do Evangelho, da Boa Nova, a alegria da salvação que Cristo nos oferece, em si mesmo para todos os dias, como cada um de vós; como um verdadeiro jovem homem, estudante, rapaz, vosso coetâneo — disse dirigindo-se aos jovens — para estas três gerações. Ide, e observai como era o homem das oito bem-aventuranças». Wojtyła indicava em Pier Giorgio o jovem que não fenece, que nunca morre, porque radicou a sua vida em Cristo e a Ele está ligado como os ramos à videira.
Uma vez eleito Papa, Karol estreitou ainda mais a sua ligação com Pier Giorgio. Via-o como o jovem da alegria contagiante, da realização das promessas feitas por Jesus no Evangelho, considerava-o um modelo para quantos queriam dedicar-se aos pobres e aos doentes, mas também participar na vida política e social do seu País para nela refletir os princípios cristãos da doutrina da Igreja. Quando João Paulo II se deslocou a Turim, a 13 de abril de 1980, não perdeu a ocasião para aproximar a figura de Pier Giorgio à de dom Bosco, o primeiro como “verdadeiro jovem cristão”, o segundo como “verdadeiro educador”. Naquela ocasião, o Pontífice reiterou uma das razões pelas quais admirava a figura do jovem de Turim: «Aberto aos problemas da cultura, do desporto, um alpinista». Atento às questões sociais, aos valores verdadeiros da vida, era ao mesmo tempo «homem profundamente crente, nutrido da mensagem evangélica, solidíssimo no carácter, coerente, apaixonado em servir os irmãos, consumido num ardor de caridade que o levava a aproximar, segundo uma ordem de precedência absoluta, os pobres e os doentes».
O processo canónico de beatificação ainda não tinha terminado e o Papa Wojtyła continuava a indicar o exemplo de Pier Giorgio aos jovens do nosso tempo. Fê-lo uma vez durante a visita ao Centro Internacional Juvenil São Lourenço, a 13 de março de 1983. «Do exemplo de São Francisco — disse naquela ocasião — quero recordar-vos como estímulo a tender para altos ideais também a figura de um jovem que viveu na nossa época, Pier Giorgio Frassati». Indicou-o como um jovem “moderno”, sublinhando que ele tinha «vivido as Bem-aventuranças do Evangelho». Mais uma vez o Papa polaco evidenciou a importância do testemunho de vida oferecido por Frassati. E houve outro aspeto particular realçado por João Paulo II a propósito de Pier Giorgio: o de operador de paz. Assim o definiu durante o encontro para o jubileu internacional dos desportistas, realizado no estádio Olímpico de Roma a 12 de abril de 1984. Pier Giorgio podia ser incluído a pleno título entre os desportistas, como «um valente alpinista e um esquiador experiente». O Pontífice recordou uma frase escrita após a Primeira Guerra Mundial: «Com a caridade semeia-se nos homens a paz, mas não a paz do mundo, mas sim a verdadeira paz que só a fé de Cristo nos pode dar, irmanando-nos». O Papa indicou-o como um programa, para que «em cada lugar da terra — disse aos numerosos presentes — sejais também vós portadores da verdadeira paz de Cristo!».
Há outra afinidade entre Wojtyła e Frassati: o seu amor à Eucaristia. O beato passava horas diante do Santíssimo Sacramento na catedral de Turim, e assim Wojtyła, primeiro como pároco, depois como bispo e finalmente como Papa, passava em oração muitíssimo tempo. Ambos os «desportistas, jovens e atletas de Cristo», podem ser definidos homens de oração. João Paulo II, durante a beatificação de Pier Giorgio, ocorrida na praça de São Pedro a 20 de maio de 1990, fez notar o segredo do zelo apostólico e da santidade de Frassati, que deve ser procurado no itinerário ascético e espiritual por ele percorrido, ou seja, «na oração, na perseverante adoração, também noturna, do Santíssimo Sacramento, na sua sede da Palavra de Deus, perscrutada nos textos bíblicos; na serena aceitação das dificuldades da vida também familiares; na castidade vivida como disciplina alegre e sem compromissos; na predileção quotidiana pelo silêncio e pela “normalidade” da existência».
Não se pode deixar de fazer referência à devoção à Virgem Maria que unia Pier Giorgio e João Paulo II, o Papa do Totus tuus. Frassati amava deixar Turim e dirigir-se frequentemente ao santuário mariano de Oropa para rezar à Virgem; e Wojtyła costumava entregar-se por completo a Nossa Senhora no santuário de Kalwaria. Dois santuários marianos que uniam o santo e o beato na sua terna entrega à Mãe de Deus. Assim como os seus caminhos se tinham cruzado nas montanhas, na penumbra da adoração eucarística e no amor à criação, reencontraram-se sempre na devoção a Maria, a ponto de os tornar semelhantes na sua forma de fazer de Nossa Senhora o selo da existência.
Teria sido oportuno celebrar de maneira adequada o duplo aniversário do centenário do nascimento de Karol Wojtyła e os trinta anos da beatificação de Pier Giorgio, mas devido à emergência sanitária da covid-19 não foi possível. Contudo, o Padre Paolo Asolan, reitor do Pontifício Instituto Pastoral Redemptor Hominis, dirigiu uma carta aos amigos de Frassati, na qual recorda, entre outras coisas, como Wojtyła tinha lido a biografia do beato escrita por Dom Antonio Cojazzi quando era jovem. «Também eu, na minha juventude — disse João Paulo II na presença da irmã de Frassati, Luciana Gawronska, no cemitério de Pollone, a 16 de julho de 1989 — senti o benéfico influxo do seu exemplo e, como estudante, fiquei impressionado com a força do seu testemunho cristão». Revelou assim, escreveu o Padre Asolan, «a duração e a força da ligação que o unia ao seu homem das bem-aventuranças: uma impressão excecional que o tinha marcado, modelado». De facto, no estilo pastoral «aberto, dinâmico, humanamente rico e sincero, nada clerical, e contudo cheio daquela fé evidente e daquela oração» que «eram próprios do Papa polaco, há muito do estilo e das características humanas e espirituais de Pier Giorgio». Quem conhece ambos «vê-lo-á facilmente, até no amor pela montanha e pelos esquis».
O Padre Asolan imaginou também como agora, unidos no Céu na comunhão dos santos, conversarão entre si: uma realidade que só se pode imaginar, «pelo que as nossas experiências humanas nos podem conceder». E, contudo, «pensar nisso e representá-lo com os olhos da fé pode tornar-nos participantes dessa amizade, ou seja, dessa vida». Ela pode deixar também em nós «um benéfico influxo, uma impressão que nos dá forma. Algo de que certamente precisamos: para tornar bela a nossa existência e para a colocar ao serviço do mundo, aquele mundo complicado e secularizado no meio do qual também Frassati passou irradiando toda a força da sua caridade». (Nicola Gori)
Na manhã deste sábado, o Papa Leão XIV encontrou-se com os representantes das entidades civis e eclesiásticas que colaboraram para a realização do Jubileu da Esperança, encerrado há poucos dias.
“Os jovens precisam de modelos saudáveis, que os orientem para o bem, para o amor, para a santidade, como nos mostram as figuras de São Carlo Acutis e de São Pier Giorgio Frassati, canonizados no último mês de setembro. Mantenhamos diante de nós os seus olhos límpidos e vivos, cheios de energia e, ao mesmo tempo, tão frágeis: eles poderão nos ajudar muito a discernir com sabedoria e prudência nas graves responsabilidades que temos para com eles.”
“Que em 2026 possamos recordar as palavras de São Pier Giorgio Frassati: ‘Por ti não farás nada, mas se tiverdes Deus por centro de tuas ações, então sim, chegarás a finalidade última.‘ Desejo que seu novo ano seja guiado pela fé e que cada passo te aproxime do propósito divino. Feliz Ano Novo!”
Estou lendo o romance de Italo Mario Angeloni «Ho amato così» onde ele descreve na primeira parte o seu amor por uma andaluza e creio que sinto emoções porque parece a história do meu amor.Eu também amei assim, só que no romance o sacrifício é feito pela andaluza, enquanto no meu serei eu o sacrificado, mas se Deus o quer assim seja feita a Sua Santa Vontade. Hoje vou a Sauze d’Oulx para provar a pista de corridas da Giovane Montagna, amanhã a companhia parte para o S. Bernardo e o meu espírito está lá com eles pelas duplas razões: porque o S. Bernardo foi o berço do meu sonho, ah, quebrado! e depois porque lá está aquela que amei de puro Amor e hoje renunciando a ela desejo que seja feliz. Exorto-te a rezar para que Deus me dê a força cristã de suportar serenamente e a ela toda a felicidade terrena e a força de chegar ao Fim para o qual fomos criados¹. No dia da tua formatura provei como são verdadeiras as palavras de S. Agostinho que diz: «Senhor, o nosso coração não tem paz até que repouse em ti»; de fato, tolo é aquele que corre atrás das alegrias do mundo porque estas são sempre passageiras e trazem dores, enquanto a única verdadeira alegria é aquela que a Fé nos dá, e os companheiros amados, especialmente através deste poderoso vínculo, permanecerão sempre unidos mesmo que as contingências da vida nos atirem para muito longe. Essa [amiga] será sempre para mim uma boa amiga, que conhecida nos anos perigosos da minha vida me terá servido a prosseguir na via direita rumo à Meta. Escreva-me alguma coisa e reze muito por mim. Augúrios de bom fim e bom princípio para você e para os seus, beijos de
Pier Giorgio¹
Na presente carta, o conflito sentimental de Pier Giorgio se manifesta plenamente. Os temas do amor, da renúncia e de uma lembrança persistente, embora reprimida, emergem, revelando um sentimento que permanece vivo e encontra sua resolução na resignação e na fé. Como contrapartida ao seu sacrifício silencioso, ele almejava a felicidade da mulher amada, que desconhecia tal renúncia; por essa razão, ele pedia as preces de seus amigos.
Do Livro : Lettere – prefácio do cardeal Matteo Zuppi – edição 2019
Pier Giorgio jamais declarou seu amor a Laura Hidalgo. Anos mais tarde, já casada, ela confirmaria que sempre o vira estritamente como um amigo de juventude, sem nutrir qualquer outro tipo de sentimento por ele.
Pier Giorgio Frassati: Modèle pour les chrétiens du troisième millénaire Por Cristina Siccardi, Abbé Hervé Benoît · 2018
Em 1922-1923, eu me encontrava em Turim para a comemoração do centenário de São Domingos. Durante as cerimônias, tive a oportunidade de ver os jovens estudantes da Ordem Terceira, todos eles distintos. No entanto, um deles me chamou a atenção de modo muito particular. De toda a sua pessoa emanava uma força atrativa impregnada de doçura.
Pier Giorgio Frassati era o seu nome. Nascera em Turim em 6 de abril de 1901, e ali morreu em 4 de julho de 1925, em plena mocidade e vigor, às vésperas de receber seu diploma de engenheiro. Apresentamo-lo hoje aos nossos jovens compatriotas para que nele reconheçam um dos seus e prestem à sua memória o culto que lhe é devido.
Ele fazia parte do seleto grupo de rapazes que hoje se encontram por toda parte, nos centros universitários, e que, com a nostalgia do sobrenatural, mostram um verdadeiro temperamento de apóstolos. A religião sempre se lhe apresentou como doutrina de vida — uma só vez luz e força — que deve iluminar e fecundar toda a atividade humana. Nada há de fugir à sua influência vivificante.
Pier Giorgio só teve tempo de ser estudante, mas já se via nele o homem que havia de ser, não propriamente um intelectual — ou seja: aquele que colocou toda a sua vida a serviço das ideias — mas um homem de ação, resolvido a colocar as ideias a serviço da vida.
Para ele, Ação consistia em Ação Católica, tanto na vida interior como nas obras exteriores, na vida particular, na familiar e na social.
Agir, conforme o seu modo de ver, era viver, pensar, sentir, amar, entregar-se com todos os recursos e ardores da natureza e da graça.
Dentro dele mesmo é que ficava o centro de ação, no mais profundo da alma, no contacto íntimo com Deus de amor cuja presença o inebriava. Ali é que achava habitualmente a alegria de viver; ali é que encontrou, aos vinte e quatro anos de idade, coragem bastante para morrer.
Durante toda a sua vida de estudante, foi piedoso, mas de uma piedade que não empanava o brilho do olhar, não obscurecia a fronte nem quebrava o sorriso. Ao contrário, todo ele irradiava alegria, deixando sempre que sua admirável natureza se desenvolvesse ao sol do divino amor.
A todos os sentimentos que fazem vibrar o coração humano sob as inspirações cristãs, dava hospitalidade o seu, com uma espontaneidade e generosidade sem par. Amava profundamente todos os seus, sofria na separação deles, exultava com o regresso ao seu seio. Por toda a parte espalhava alegria. O pai chegava a esquecer as preocupações políticas quando com ele brincava. A mãe conservava no íntimo do coração todas as suas palavras.
Amou pátria e família com a mesma veemência e o mesmo entusiasmo. Como poderia deixar de as amar ele, cuja alma sensível e delicada compreendia tudo o que lhes era devedor? Não é verdade que a sua bela Itália dera à Igreja o mais profundo pensador, Santa Tomás de Aquino; o maior poeta, Dante; e, numa plêiade imortal e popular dos pintores…
…o seu país com a do mundo estilizado e, por duas vezes, antes e depois de Cristo, não fora Roma a cidade e a capital do Universal? Pier Giorgio considerava a Pátria como um prolongamento da família, e a Igreja como a extensão da Pátria na ordem espiritual. Os sentimentos que por elas alimentara, longe de serem antagônicos em seu coração, harmonizaram-se e reforçaram mutuamente.
Como ele sabia amar nossa Mãe, a santa Igreja! De boa vontade daria a vida por ela. Na Igreja, principalmente, as almas atraíam-no e, dentre elas, as dos pobres. Nas páginas que se seguem poderão ser lidos trechos comoventes sobre o culto que votava aos pobres. Aos que padeciam fome dava o pouco que possuía; nos que sofriam do isolamento do coração, dava o seu; aos infelizes que nada sabiam de Deus e viviam na ignorância espiritual, dava o exemplo do justo que vive da fé, e atraía-as para Deus, para que Ele as confortasse. Enfim, numa idade em que as paixões fervem nos corações dos moços e ameaçam destruir todos os impulsos generosos, Pier Giorgio concentrava e equilibrava todas as suas forças vitais.
Dia a dia, em presença de Deus e dos homens, aprendera a vencer-se e dominar-se. Dir-se-ia que, sem de tal se aperceber, se preparava para o papel de chefe, para o qual parecia ter nascido, se verdade é que, para conduzir os outros, se torna preciso saber governar-se a si próprio.
Mas… num belo dia, assaltado por uma doença fulminante, esse jovem robusto e equilibrado é bruscamente detido em suas ascensões espirituais; ou, melhor: morrendo, transpõe de um salto toda a distância que o separava de Deus; trocou a Terra pelo Céu.
Insondáveis são os desígnios de Deus. Tudo Ele vê.
como nas minúcias. No entanto, podemos razoavelmente julgar que nosso Senhor, chamando Pier Giorgio precisamente na ocasião em que todos depositavam nele tanta esperança, quis que a sua morte inesperada pusesse em relevo a excepcional beleza da sua vida e fascinasse o olhar dos moços capazes de o imitarem. Por esse motivo é que Pier Giorgio é considerado chefe da Juventude. Sua atividade não foi vencida pela morte. Sobrevive!
Continua a falar aos que o ouvem e a arrastá-los pelo exemplo!
“Defunctus adhuc loquitur”.
Padre Martin Stanislaus GILLET, O. P. Foi Mestre Geral da Ordem Dominicana em 1929. Com um mandato excepcionalmente longo que terminou em 1946.
A comunidade do Carmelo da Sagrada Face e Pio XII, em Tremembé (SP), viveu um momento de profunda espiritualidade em 15 de novembro de 2025, ao receber as relíquias de São Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis. O evento, inserido na Novena da Venerável Madre Carminha, teve seu ponto alto na Santa Missa e na subsequente entronização da relíquia de São Pier Giorgio. A celebração da fé contou ainda com a participação do Padre Vagner Moraes, Reitor do Seminário Maior São José da Diocese de Osasco e presidente nacional da OSIB, que concedeu a bênção final aos presentes, e uma conferência de Eduardo Henrique.
Pier Giorgio Frassati é um modelo inspirador para os adoradores eucarísticos porque sua vida demonstrou uma profunda e inseparável ligação entre a adoração a Jesus no Santíssimo Sacramento e o serviço amoroso aos pobres e necessitados.
A Profunda Devoção Eucarística de Frassati
Comunhão Diária: Frassati fazia da Eucaristia o centro de sua vida, comungando diariamente, o que era incomum para a época.
Adoração Noturna: Ele amava passar longas horas em adoração noturna ao Santíssimo Sacramento, buscando a intimidade com Cristo. Um relato de um padre sacramentino descreve sua surpresa ao encontrar o jovem Frassati chegando tarde da noite para sua hora de adoração, demonstrando seu fervor e a necessidade urgente que sentia de estar perto de Jesus Eucarístico.
Participação Ativa: Participava com entusiasmo de procissões e Congressos Eucarísticos, expressando publicamente sua fé na presença real de Cristo.
A Eucaristia vivida na Caridade
Para Frassati, a espiritualidade eucarística não era uma devoção intimista ou privada, mas sim uma força que o impulsionava à ação social e à caridade.
Ver a Cristo nos Pobres: Ele compreendeu a ligação intrínseca entre o Corpo de Cristo na Eucaristia e a “Carne de Cristo” nos sofredores. Aos amigos que perguntavam como ele conseguia frequentar os cortiços fétidos, ele respondia: “Recorde-se que você está indo em direção de Cristo: Jesus não disse: ‘cada vez que fizerem estas coisas a um só desses meus pequeninos irmãos, o terão feito a mim’?”
Fonte de Alegria e Força: A Eucaristia era a fonte de sua alegria contagiante e a força para sua incansável dedicação aos pobres e doentes. Ele dizia: “Jesus me visita todas as manhãs na comunhão e eu o restituo do modo miserável que eu posso: visitando os pobres”.
Evangelização pelo Exemplo: Ele não apenas adorava sozinho, mas também levava seus amigos e os pobres que assistia aos pés de Jesus Eucarístico, compartilhando sua fé e seu amor.
Lições para os Adoradores de Hoje
Pier Giorgio Frassati ensina aos adoradores modernos que a verdadeira adoração leva à missão. Ele é um modelo que inspira a:
Centralidade de Cristo: Colocar Jesus na Eucaristia no centro da vida diária.
Coerência de Vida: Viver a fé de forma concreta, unindo a oração e a ação social.
Caridade Ativa: Transformar o tempo de adoração em serviço amoroso ao próximo, especialmente aos mais vulneráveis.
Alegria no Serviço: Encontrar a alegria em servir a Deus e aos outros, fazendo da vida uma constante evangelização.
Em suma, Pier Giorgio Frassati nos lembra que a Eucaristia recebida e adorada se torna uma escola de caridade, capacitando os fiéis a verem e servirem a Cristo no mundo.
Eduardo Henrique é responsável pelo Site junto a Associação Pier Giorgio Frassati de Roma.
Meu nome é Bruna Madureira, tenho 32 anos, casada há 3 anos e 10 meses com Cristian Madureira, mãe do Miguel, de 2 anos e 5 meses, missionária na Rede de Missão Campus Fidei, em Brasília, Distrito Federal. Na Rede de Missão na qual sou membro, cujo carisma é “ser e formar uma geração mais enraizada na fé e fecunda em boas obras”, costumamos dizer que Deus se manifesta nos detalhes e que, por isso, devemos estar atentos às suas surpresas. Posso afirmar que encontrar o site do Eduardo Henrique dedicado a São Pier Giorgio Frassati foi uma bela surpresa de Deus. Enquanto decidia sobre qual santo escolheria para ser representado por meu filho na Festa da Santidade em Família, na Rede de Missão, no dia em que celebramos a Solenidade de Todos os Santos, lembrei que um outro santo jovem havia sido canonizado juntamente com Carlo Acutis, no dia 07 de setembro. Foi quando senti que precisava conhecê-lo. A história de Pier Giorgio Frassati me cativou. A sensação era de estar iniciando uma amizade por meio da curiosidade e da admiração que surgia enquanto me aprofundava na sua vida. Vejo que seu exemplo é a resposta para muitas das mazelas vividas pela juventude atual. Aquela imagem de um jovem no cume de uma montanha, apoiado em um bastão de alpinista, um cachimbo na boca, um estilo mais despojado e, acima dele, apenas o céu, tudo azul a sua volta… À primeira vista, um aventureiro, brincalhão, carismático e rebelde. O que me surpreende é que, mesmo agora, que o conheço um pouco mais e compreendo sua santidade, acredito que seja justo permanecer com essa mesma descrição e direi logo mais o porquê. Na oração da Rede de Missão Campus, suplicamos ao Espírito Santo que Ele “levante uma geração de discípulos missionários que não se envergonhem do Teu Evangelho e da Tua Igreja, uma geração de jovens e famílias que, pela intercessão de São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá, sejam OUSADOS, CRIATIVOS e CORAJOSOS para viver e anunciar as obras da Tua misericórdia”. Frassati foi extremamente ousado, sendo um rebelde que só um santo poderia ser ao viver a radicalidade do Evangelho; criativo, pois o seu bom humor e carisma eram meios para evangelizar, para criar pontes, fazer amigos, ao ponto de criar uma sociedade intitulada “Sociedade dos Tipos Suspeitos”, onde se aproximava dos mais marginalizados, com o cuidado de quem se preocupa com a salvação das almas; corajoso, porque não abriu mão de sair de si, de se despojar dos bens, para ir ao encontro do outro onde quer que ele estivesse, sendo um dom para todos a sua volta. Pensei: “impossível não ser fisgado por sua beleza e grandeza”. Um dos nossos lemas na Rede de Missão é: “Buscai as coisas do Alto!”. Temos uma analogia com os balões de ar quente, que precisam de esforço para manter o fogo aceso e continuar subindo, onde só no céu encontrarão repouso. Frassati escalava montanhas, como quem dependia daquele percurso íngreme para alcançar o Céu que tanto desejava, dando tudo de si para, lá de cima, adorar Deus e contemplar toda a Sua criação. Mas de tudo o que me chamou atenção na sua biografia, ressalto: aquele jovem “rebelde”, a seu modo, amava com todas as suas forças a Eucaristia e acreditava que a tristeza deve ser erradicada da alma do católico, pois, em suas palavras, “a finalidade para a qual fomos criados nos mostra o caminho que, mesmo com muitos espinhos, não é de nenhum modo triste. É um caminho alegre, mesmo através da dor.” Li que, no final de sua vida, Frassati cogitava o sacerdócio como sua vocação. Na minha mediocridade, entendo que talvez não fosse mesmo esse o desejo de Deus para Frassati. Talvez, Deus quisesse que venerássemos um santo jovem, no cume de uma montanha, de estilo despojado, bastão de alpinista e um cachimbo na boca, cujo sorriso largo, um sorriso de uma alma verdadeiramente feliz pela certeza de que tinha tudo por meio do seu Pai, refletisse para tantos outros jovens a santidade que devemos alcançar. Na Festa da Santidade em Família, meu filho venceu o 1º lugar no quesito fantasia mais surpreendente. Mas acredito que nossa maior recompensa foi ter divulgado esse santo que, agora, podemos chamar de amigo, para tantas outras famílias. Que São Pier Giorgio Frassati seja um amigo fiel do meu Miguel, presente na nossa família, e um grande intercessor da Rede de Missão Campus Fidei. Que sua história continue a cativar cada vez mais pessoas, despertando em todos a vontade de buscar as coisas do Alto, sempre! São Pier Giorgio Frassati, rogai por nós