Do jornal socialista A Justiça (08 de julho de 1925)

Filippo Turati

Era verdadeiramente um homem esse Píer Giorgio, que a morte aos 24 anos arrebatou cruelmente, rápida como um ladrão apressado. O que se lê sobre ele é tão Novo e insólido que enche de reverente admiração mesmo aqueles que não partilham sua fé. Jovem, rico, escolhera para si o trabalho e a bondade. Crente em Deus, professava a sua fé com aberta manifestação de culto, concebendo-a como uma milícia, como uma farda que se veste aos olhos do mundo, sem trocá-la jamais pela roupa habitual, por comodismo, por oportunismo, por respeito humano. Convictamente católico e associado á juventude católica universitária da sua cidade,desconfiava dos modelos simplistas dos céticos, dos vulgares, dos medíocres, participando das cerimônias religiosas, seguindo em cortejo o baldaquim do arcebispo em ocasiões solenes. Quando tudo isso é manisfestação tranqüila e firme do próprio convencimento e não representação ostentosa com outros propósitos, é belo e honroso. Mas como distinguir a confissão da afetação?
Aí está: a vida é o termo de comparação entre palavras e atos extremos que valem muito mais que as palavras. Esse jovem católico era antes de tudo um cristão e traduzia as suas opiniões místicas em obras vivas de bondade humana, em atos constantes de piedade.Pode-se avaliar de modo diferente a eficácia social da caridade, ma não se pode desconhecer o seu mérito, quando ela é exercida com o coração puro e não como um entorpecente ou diversivo ou preventivo,mas como assistência imediata à desventura, sem outra finalidade ou outras intenções que não a expressão de um dever sinceramente sentido e de um amor fraterno.

*Fundador do Partido Socialista Italiano.

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