Pier Giorgio Frassati – Repercussão após sua morte

Eduardo Henrique da Silva

A impressão que tiveram em Turim, no dia dos funerais, foi que esta morte era prenuncio de uma aurora.
Seis anos são passados e a aurora não deixou de brilhar num horizonte cada vez mais vasto.
Depois que os despojos mortais foram furtados aos olhares dos seus amigos, estes voltaram desolados á igreja da Crocetta para meditar aos pés do tabernaculo as lições daquela grande vida.O pequeno grupo inicial começou a aumentar e hoje (1931) já são milhares na Itália e no mundo inteiro os que, norteados por ele, se reúnem nas igrejas e na Santa Missa.
Realmente, este morto está mais vivo que nunca!
Seu nome, agora popular, está gravado no granito e no mármore e se distende nas dobras das bandeiras gloriosas dos Círculos Católicos e das Associações Juvenis.
No dia 04 de julho de 1926, aniversário de sua morte, foi colocada uma placa de mármore na igreja da Crocetta, perto dos bancos onde costumava ajoelhar-se cada manhã. Sob o baixo relevo que o representa de perfil os paroquianos podem ler:

Pier Giorgio Frassati,
Apostolo da Caridade.
Aqui na oração e na união eucarística de cada dia,
Achou a luz e a força que o ajudaram a vencer o bom combate,
Transpor as etapas da vida, como bom soldado de Cristo.
Para lembrança e exemplo para os moços.

Um mês mais tarde, no dia 14 de agosto de 1926, um alpinista conseguiu escalar dois cumes ainda virgens, que no mássico dos Alpes se emparelham com o Ratti; e, para perpetuar, até nos vértices das montanhas, batizou-o com o nome de Pier Giorgio Frassati.
Na Piccola Casa della Providenza, sito no vasto bairro do Cottolengo, maravilha e gloria de Turim, há um grande pavilhão com 300 quartos, que tem o nome de Pier Giorgio Frassati gravado na sua fachada. (Confere em Ecos de Memória – Dois homens ardentes de amor por Jesus e pelos necessitados).
Realizaram assim o desejo que tivera de construir, á sua custa, um estabelecimento destinado a recolher os velhos doentes que, nas suas visitas aos pobres, tantas vezes vira a cargo da família.
Foi ainda para lembrar o seu amor aos pobres que no mesmo bairro onde habitara, um dispensário dirigindo pelas Irmãs de São Vicente de Paulo socorreu numerosas famílias de infelizes, e isto durante muito tempo.
Muito mais que no mármore e no bronze, porém, sua memória vive nos corações. Anualmente, o aniversário da sua morte reúne na igreja da Crocetta as multidões ávidas de ouvir falar sobre ele. Dom Cojazzi (foi o preceptor de Pier Giorgio e seu primeiro biográfo), o padre Righini, S.J., o saudoso ex-assistente eclesiástico da FUCI, Mons. Pini, o Padre Cordovani, O.P, tomaram a si esta incumbência, e os próprios arcebispos de Turim têm proposto aos jovens o exemplo e as virtudes daquele que foi um modelo perfeito. Primeiro o Cardeal Gambá, depois, no dia 04 de julho de 1931, seu sucessor o Cardeal Fossati.
Nesse dia, em todos os pontos da Itália, estudantes, rapazes dos Círculos Católicos, pessoas gradas e mesmas religiosos e religiosas, não deixam de assinalar com a comunhão o aniversário do seu natal para o céu.
A prova disto está na espantosa difusão dos “Testemunhos” recolhidos por Dom Cojazzi, e a elevação de almas que esta leitura produz parece receber a sanção do céu. É o que prova a correspondência diária da qual vamos extrair alguns trechos mais importantes.
De um rapaz: “Há quanto tempo não ia eu à missa? Há quanto tempo deixei de rezar? Nem sei. O que sei é que, longe de Deus, da Igreja e dos Sacramentos, o homem não é mais homem, é simplesmente um animal. Foi meu irmão quem me trouxe a vida de Pier Giorgio Frassati. Comecei a lê-la, página por página sem pular nem uma palavra. No fim da leitura, minha emoção chegou ao auge. Pier Giorgio era perfeito e eu estava tão longe disso! Fiz uma revisão do meu passado e não tive dificuldade em observar que antigamente era eu mais feliz. Entretanto, agora também rezo o terço todas as noites, vou à missa, aproximo-me dos Sacramentos. Tornei a achar o belo tempo da minha juventude. Lá no alto, Pier Giorgio rezou por mim:ou antes salvou-me.”
Outro testemunho.
“Só uma vez tive ocasião de o ver. Foi durante o Congresso Eucarístico de Genova, em 1923, na praça onde se reuniam os grupos de jovens, antes da procissão. Hoje lamento amargamente não ter sabido dar valor ao rapaz que eu estava cumprimentando. Quanto mais proveitoso não haveria de ser para mim o segundo encontro! Realmente, estava longe de pensar que ele viria procura-me neste cantinho obscuro da França”.
Poder-se-iam multiplicar estes fatos e citar ainda as reflexões que acompanham os donativos de esmolas à L`Stampa que sob o título de “Caridade do Sábado” faz um apelo á generosidade do público em favor dos necessitados. (Iniciativa tomada após a morte de Pier Giorgio).
Quantos benefícios espirituais ou temporais, quantas maravilhas de graça, deixam linhas como estas, apesar do véu do anonimato: “Aos pobres de Pier Giorgio Frassati, em ação de graças por um favor extraordinário alcançado…” – “Vítima de muitos infortúnios, apelei para a bondade e compaixão de Pier Giorgio e obtive a graça e consolação.” -“Pela intercessão de Pier Giorgio Frassati alcancei uma graça que há muito tempo estava pedindo a Nosso Senhor”.
É entre os jovens, como dissemos, que se manifesta melhor o impulso das almas para aquele que tanto desejou leva-las a Cristo.
No dia 06 de abril de 1931, Pier Giorgio teria trinta anos. Inúmeras foram as associações que quiseram comemorar esse dia com uma missa, comunhão e uma visita suplementar aos pobres e aos doentes nos hospitais.
“Trinta anos não é muito na vida de um homem – Dizia Dom Cojazzi aos jovens que estavam celebrando esse aniversário – e no entanto, nessa idade o jovem já tem muito encanto. Quanto a ele, que já partiu para Cristo, sempre há de ter vinte quatro anos! Na terra a juventude dura o espaço de uma manhã; só a mocidade dos que adormeceram no beijo do Senhor  é que dura eternamente!”
No cemitério de Pollone, em uma cripta de granito revestido de mármore branco, os despojos mortais de Pier Giorgio esperam a hora da ressurreição, no meio de flores que ele tanto amava e sob o olhar vigilante dos anjos de Bonozzo Gozzoli. (Hoje após a beatificação o corpo de Pier Giorgio encontra-se na Catedral de São Giovanni Batista em Turim em uma capela lateral. Na mesma catedral encontra-se o Santo Sudário).
Na lápide tumular, encimada por uma cruz, larga e sem ornato, talhada no granito de uma montanha, lê-se o seguinte:

Pier Giorgio Frassati

Com vinte e quatro anos de idade nas vésperas
De ser diplomado engenheiro, belo, robusto, alegre e estimado –
Viu chegar de improviso seu último dia – e, como fazia em todas as circunstâncias,
Saúdo-o serenamente – como o mais belo da sua existência.
Confessou a Fé pela pureza de vida e pelas obras de caridade.
A morte o ergueu como um estandarte vivo da juventude cristã.

Estandarte vivo da juventude cristã! Será que os que mandaram gravar na pedra estas palavras de sentido tão profundo suspeitavam até que ponto a fama ia confirma-las?
Em todo caso, raras profecias foram tão bem realizadas.
Um dia Dom Cojazzi respondeu a um jovem que lhe perguntou ingenuamente por que razão Pier Giorgio parece mais vivo que quando estava na terra:
“Porque a vida dele nos ajuda a compreender a palavra do Evangelho: Aquele que ama a sua vida perdê-la-á; o que a perder neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Como o jovem do evangelho que oferecendo alguns pães, conseguiu alimentar uma multidão, Pier Giorgio, oferecendo a Crista à riqueza, a juventude e a vida, continua mesmo morto a multiplicar seus favores no coração do povo”.
Mais do que nunca, o facho está firme no candelabro e cada vez mais aumenta o facho de luz que o envolve. Sobre Pier Giorgio paira a divina promessa feita ao justo que viveu de fé: “Embora morto, ele fala sempre!”.

* Informações retiradas do livro:
Pier Giorgio Frassati
P. Marmoiton S.J.
Edição Cruzada da Boa Imprensa
Rio de Janeiro -1935

** Eduardo Henrique da Silva é responsável pelo site de Pier Giorgio Frassati no Brasil.
Leigo Domenicano, profundo conhecedor e entusiasta de Pier Giorgio.

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