“O homem não pode viver sem esta busca da verdade sobre si mesmo; verdade que o leve a abrir o horizonte e a ir além do que é material; não para fugir da realidade, mas para vivê-la de uma forma ainda mais verdadeira, mais rica de sentido e de esperança”.
“Sejam confortados pelo testemunho de tantos jovens que atingiram a meta da santidade: pensem em Santa Teresa do Menino Jesus, São Domingos Sávio, Santa Maria Gorete, o beato Pier Giorgio Frassati, o beato Alberto Marvelli – que é desta terra!”.
Atualmente o contexto cultural no qual se dá o processo educativo de crianças e jovens caracetriza-se por múltiplos e atraentes instrumentos de informação e comunicação, por mudanças rápidas e constantes, por variados e, muitas vezes contraditórios, valores e referências propostos pela família, escola, grupo de amigos, etc.. A característica comum a esses ambientes formativos parece ser a falta de espaço para o acontecer humano, particularmente para o desejo ou exigência humana fundamental de identificar algo de válido e de certo, objetivos sólidos com os quais construir a vida. Há uma busca constante pelo bem-estar momentâneo, um fechamento no horizonte estreito da imanência e do pragmatismo e a experiência da dor por não ser olhado e recebido pelo que se é. Verifica-se claramente a necessidade de escuta e orientação – tanto dos educandos quanto dos educadores – que possibilite a descoberta de si e previna o risco de esvaziamento da pessoa ou de perda da identidade. Diante das solicitações de todo tipo presentes na sociedade contemporânea que, em ritmos crescentes exigem respostas cada vez mais rápidas, torna-se imperioso a existência de espaços de acolhimento do humano – dos jovens e adultos – que favoreçam o processo formativo e de crescimento pessoal. É preciso oferecer ambientes em a pessoa possa existir, ser como é, expressar sua humanidade no que tem de mais orginário que é a busca de sentido, do mistério, do infinito. A Igreja é chamada a constuir-se cada vez mais em uma morada capaz de acolher o humano, um lugar em que seja possível conhecer pessoas que vivem ou viveram nesse contexto com toda sua humanidade, dando testemunho de que a experiência cristã convém ao homem atual e é essencial para que ele possa lembrar-se de quem ele é. Pier Giorgio comunicou com sua existência concreta que o encontro com Cristo é interessante para vida, torna-a mais fascinante e realizada. Esse é o nosso desejo e pedido: que possamos fazer a mesma experiência que ele nos dias de hoje.
*Psicóloga, Doutora em Educação,professora da Faculdade Santa Marcelina
Transcorre em Roma o processo de canonização de um jovem universitário italiano que ainda precisa ser “descoberto” pelos brasileiros: Pier Giorgio Frassati. Na homilia da sua beatificação o Papa João Paulo II disse: “Procurai conhecê-lo!” E, de fato, ele pode ser um irradiante exemplo para a juventude da nossa época.
Pier (Turim, 6/4/1901 – 4/7/1925) foi um modelo de membro moderno do laicato católico. Seria interessante que o prezado leitor, após conhecer a vida desse novo amigo, fosse ler o precioso documento do Papa sobre o laicato, a exortação apostólica pós-sinodal “Christifideles laici” (Sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo, de 30/12/1988). Filho do mais jovem senador do Reino da Itália, Alfredo Frassati, embaixador da Itália em Berlim, fundador do prestigioso jornal “La Stampa”, que existe até hoje, Piero cresceu como uma criança privilegiada, tendo herdado mais as qualidades que os defeitos de sua família.
Desde a infância foi surpreendente… Com a idade de 4 anos, quando todas as crianças (conforme antiga tradição de piedade) jogavam pétalas de rosas na imagem da Virgem Maria numa procissão, ele se apodera de uma joia da prima mais velha (uma flor de ouro)… e joga-a na direção do andor… Aos 5 anos, ao ver uma criança sem calçados pedindo esmola na porta de sua casa, tira os seus próprios sapatos e os doa à criança, fechando a porta depressa para ninguém tomar conhecimento do seu gesto.
“Coisas de santo” – alguém poderá dizer –. Seus biógrafos não escondem, contudo, que ele era brigão, quando adolescente, distribuindo sopapos e ponta-pés. Não obstante, ele soube se controlar, dedicando-se intensamente aos esportes (montanhismo e esqui), tornando-se um atleta. Guardou, entretanto, sua ira para os momentos certos, como quando expulsou, aos murros, os fascistas que invadiam uma casa de família pobre em Turim. Várias vezes apanhou – ou bateu – da polícia fascista.
Pelo conhecimento que temos da hagiografia, sabemos que nem todos os santos se lançaram aos estudos como ele, tendo sido aplicado estudante de Engenharia de Minas e Ciências Políticas. Quis ser engenheiro de minas para poder trabalhar com os mineradores, que ele identificou como os “párias da sociedade” de sua época.
Aos 18 anos, rompendo com as tradições burguesas da sua família, passou a dedicar-se aos pobres, integrando-se nas Conferências de São Vicente de Paulo, cuja experiência assim resumiu: “Em torno do doente, do miserável, do infeliz, eu vejo uma luz que não conheço em qualquer outra parte”.
Ainda aos 18 anos, quando entrou para a universidade, tomou contato com a Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Estudou o seu carisma e pediu para dela participar como leigo. Decidiu ser leigo para poder estar mais eficazmente junto aos trabalhadores, já que a vida religiosa do início do século XX não lhe facultava esta alternativa. No dia 28 de maio de 1922 Pier recebeu o hábito branco e a capa preta de São Domingos de Gusmão, no Convento de Turim, fazendo profissão religiosa um ano depois. Pediu e recebeu o nome de Frei Jerônimo, em lembrança e imitação do grande Frei Jerônimo Savonarola, cujas obras ele estudou, bem como as de Santa Catarina de Sena e de Santo Tomás de Aquino. Segundo a tradição da espiritualidade dominicana, dedicava especial atenção à reflexão bíblica, à piedade mariana e à recitação do rosário. O Pe. Francesco Robotti, Prior do Convento Dominicano de Turim, assim se expressou sobre o jovem noviço: “Ele me pediu para receber o nome de Frei Jerônimo, porque via no ardente Savonarola um modelo de austera pureza, de busca cristã da democracia e de profundo apostolado religioso e social. Vivendo no mundo, ele queria imitar essas qualidades, especialmente participando das associações católicas da juventude, que, se bem que sob outras formas, certamente seriam apreciadas pelo grande reformador florentino.”
Embora tão jovem, manifestou interesse incomum pelos problemas da paz na Europa; foi atento observador político, e ao mesmo tempo dedicava espaço sempre maior à oração, a ponto de fundar uma associação de ajuda mútua pela oração.
Pier Giorgio Frassati respeitava cada opinião sem jamais impor a sua. Seus colegas universitários o descrevem como justo, reservado, delicado, sabendo em todas as circunstâncias ser um excelente amigo, sereno e objetivo em seus julgamentos, com imensa indulgência para com os outros e grande rigor para consigo mesmo.
Atingido pela doença, nem por isso diminuiu seus esforços em favor dos pobres, especialmente entre os mais miseráveis de Turim. Fragilizado, muito magro, seu corpo não resistiu a uma poliomielite fulminante que o levou à paralisia e à morte em uma semana.
A imensa presença dos pobres em seu funeral constituiu para todos um evidente reconhecimento de sua santidade. Com efeito, no dia 20 de maio de 1990 Pier-Frei Jerônimo foi beatificado pelo Papa João Paulo II.
A herança espiritual da luminosa presença desse jovem universitário pode ser apreciada por esta sua frase, que o coloca ao lado dos grandes místicos do Cristianismo:
“Jesus, tornai-me semelhante ao cristal,
para que vossa luz brilhe através de mim !”
* Domingos Zamagna é jornalista e professor da Escola Dominicana de Teologia-SP
O segundo nome é o de Pier Giorgio Frassati, que é figura mais próxima do nosso tempo (morreu, de facto, em 1925) e que nos mostra ao vivo o que significa verdadeiramente para um jovem leigo dar uma resposta concreta ao “Vem e segue-me”. Basta passar os olhos, mesmo que rapidamente, pela sua vida gasta no espaço de apenas vinte e quatro, anos, para compreender qual foi a resposta que Pier Giorgio soube dar a Jesus Cristo: a resposta de um jovem “moderno”, aberto aos problemas da cultura, do desporto (um valente alpinista), às questões sociais, aos verdadeiros valores da vida e, ao mesmo tempo, de um homem profundamente crente, nutrido pela mensagem evangélica, de carácter solidíssimo, apaixonado em servir os irmãos e ardendo num fogo de caridade que o levava a aproximar, segundo uma ordem de precedência absoluta, os pobres e os doentes.
2. Porquê, falando-vos agora, quis tomar por exemplo estas duas figuras? Porque elas servem para demonstrar, num certo sentido sob dois lados diferentes, aquilo que é essencial para a visão cristã do homem. Um e outro — Don Bosco como verdadeiro educador cristão e Pier Giorgio como verdadeiro jovem cristão — nos indicam que o que mais conta nessa visão é a pessoa e a sua vocação tal como foi estabeleci da por Deus. Vós já sabeis bem que, da minha parte, é frequente esta chamada de atenção para a pessoa, porque se trata verdadeiramente de um dado fundamental de que nunca se poderá prescindir; e, ao dizer pessoa, não pretendo fazer um discurso de um humanismo autónomo e circunscrito à realidade desta terra. O homem — é bom recordá-lo — tem em si mesmo um valor imenso, mas não o tem por si mesmo porque o recebeu de Deus, por quem foi criado “à sua imagem e semelhança” (Gén 1, 26-27). E não existe, além desta, mais nenhuma adequada definição de homem! Este valor é como um “talento” e, segundo o ensino da conhecida parábola (Mt25, 14-30), deve ser bem administrado, isto é, este valor de ser homem, de ser pessoa, deve ser administrado de modo que frutifique em abundância. É esta, ó jovens, a visão cristã do homem, a qual, partindo de Deus criador e pai, faz descobrir a pessoa naquilo que é e naquilo que deve ser.
[…]E Pier Giorgio: era um jovem de uma alegria comunicativa, uma alegria que superava também as muitas dificuldades da sua vida, porque o período juvenil é sempre um período de provação das forças.
Cada vez que fico a meditar sobre Pier Giorgio e Carlo Acutis sinto-me fascinado por Jesus.Vejo que os dois se deixaram contemplar pelo olhar de Jesus que passa no meio de nós,que nos chama pelo nome mas nem sempre temos coragem de responder e de olhar nos olhos do Senhor. Jesus que se faz presente no testemunho de seus santo.
Em meus encontros diários com jovens sinto neles a angústia em serem felizes, a desejarem vivenciar a experiência do amor em nossas vidas de encontros e desencontros
Que nos levam a ter chagas profundas. Chagas essas devido a desilusões e tristezas de projetos de vida sonhados e que perderam-se nas ilusões da vida.Amores não correspondidos, vejo a necessidade que cada um tem de querer ser amado porém muitos não fazem idéia do que seja o Amor.
Parece que tudo perdeu o sentido e que a vida se tornou um eterno Outono.
Pier Giorgio e Carlo Acutis nos dão a resposta de quem vivenciaram em suas curtas vidas, porém exemplos que nos falam alto hoje, souberam responder ao “vem e segue-me”, permitiram olhar nos olhos de Jesus e por Ele sentirem-se amados.
Essa fé madura e autentica foi alimentada cotidianamente na Eucaristia, ambos participaram ativamente do Grande Encontro com o Senhor Ressuscitado. Diante da Eucaristia deixaram–se envolver pelo olhar de Jesus que nos ama profundamente.
È preciso que saibamos nos colocarmos diante do Senhor em silêncio e permitir a Ele que encha o nosso coração de Amor.Como disse uma monja domenicana, Madre Carmem Dulce Marcondes Machado, que” o Amor é uma força soberana e que a partir do momento em que esse amor preenche o meu coração me leva a ir ao encontro do outro”.
Pier Giorgio e Carlo Acutis,dois apaixonados por Jesus vivenciaram esse Amor socorrendo aos pobres,cuidando dos doentes,levando a palavra que conforta e abrindo os braços para quem deles precisassem.
Muitas vezes nos colocamos diante de Jesus com nossas preocupações e angústias e não deixamos Jesus nos falar, não nos permitimos ser amados. È preciso diante de Jesus nos colocarmos como uma tela diante de um pintor para que Ele faça em nós o que ainda falta. É preciso ser simples como as crianças .
O segredo espiritual de Pier Giorgio e Carlo Acutis foi o de deixarem–se amar pelo Senhor. Amor renovado a cada dia pela Eucaristia.
Quando aprendermos a nos deixar amar por Ele teremos a certeza de que as nuvens passam assim como nossas preocupações,angústias e medo.E será Primavera.Na redescoberta da alegria de viver poderemos ter sempre a certeza de que “ Cristo é a nossa Paz!”
Relata um padre sacramentino; “Era no ano de 1920, numa noite de adoração noturna, na nossa Igreja de Santa Maria de Piazza, na cidade de Turim, eram já passadas as 23h. Pier Giorgio devia ter uns 23 anos. Eu apenas tinha entrado no coro para minha hora de adoração quando, repentinamente, ouvi a campainha e fui abrir a porta para ver do que se tratava. Qual não foi minha consoladora surpresa quando me vi diante de um belo jovem, que eu não conhecia, que me disse que viera para fazer a sua adoração… Fiz observar ao meu gentil interlocutor que naquela noite não havia adoração para os jovens, mas somente para os religiosos. Eu o exortei para que retornasse à sua casa antes que a hora ficasse ainda mais tarde do que estava. O meu conselho não deteve o generoso jovem mas, com voz suplicante, insistiu que eu o deixasse entrar, pois ele faria sua adoração por si mesmo sem atrapalhar os nossos religiosos. Minhas justas observações de nada valeram, e suas doces insistências foram tais que acabei por contentá-lo. Feliz pela vitória alcançada, se dirigiu para a igreja”.
“Entrou no presbitério e fazendo uma profunda prostração, ajoelhou-se em um dos genuflexórios do coro da Igreja. Durante a hora que eu passei em sua companhia, fui grandemente edificado pelo seu exemplar comportamento, e pude notar todas as santas maneiras que ele usava para se manter acordado, apesar das insistências do sono e do cansaço: às vezes se levantava, às vezes lia, às vezes recitava o rosário e assim passou toda a noite, até às 4h da manhã, hora em que pediu e recebeu a santa Comunhão. Ainda depois disso, ficou uma hora em Ação de Graças. Às 5h, quando a igreja se abriu para o público, ele saiu tranqüilamente”.
* Tradução da Positio super virtutibus,cit,vol I,pag 82
O segredo da atualidade de Pier Giorgio? Ele é o amigo que você gostaria de ter, aquele com algunas dificuldades nos estudos e que sofre por amor. Frassati é um rapaz normal, do qual você se sente próximo, ainda que ele tenha se destacado por seu amor a Deus e ao próximo por meio de seu empenho, por estar sempre ao lado dos doentes e dos últimos, enfim, do seu serviço pelas ruas da cidade de Turim. Após vinte anos da beatificação de Frassati, hoje, Clara Finocchietti testemunha que, para ela – vice-presidente nacional do Setor dos jovens da Ação Católica –, assim como para toda a Associação, o beato é uma figura viva, mas sobretudo próxima. Esse é o rapaz das “oito bem aventuranças”, conforme descreveu João Paulo II no dia 20 de maio de 1990: “Mediante um olhar superficial, o estilo de Pier Giorgio não apresenta nada de muito extraordinário… Nele, a fé e os acontecimentos quotidianos se fundem harmonicamente, de tal modo que a adesão ao Evangelho se traduzem na atenção aos pobres e necessitados”. No ano anterior à beatificação, quando da peregrinação à casa de Frassati em Pollone, na região de Biela (no norte da Itália), o papa Woytjla confidenciou que, quando estudante, “impressionou-se com a força do testemunho cristão” daquele jovem de breve existência: nascido em Turim em 1901, morreu em 1925 de poliomielite fulminante. Mas sua vida é intensa, desde a paixão pelas montanhas à sua rica participação em inúmeras associações: membro da Ação Católica e da Federação de Universitários Católicos, se inscreveu, também, no Partido Popular Italiano, fundado pelo padre Sturzo. Tinha tantos amigos e empregava seu tempo livre no voluntariado.
Bom Mestre, que devo fazer
para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17)
Queridos amigos,
Celebra-se este ano o vigésimo quinto aniversário de instituição da Jornada Mundial da Juventude, desejada pelo Venerável João Paulo II como encontro anual dos jovens crentes do mundo inteiro. Foi uma iniciativa profética que deu frutos abundantes, permitindo às novas gerações cristãs encontrar-se, pôr-se à escuta da Palavra de Deus, descobrir a beleza da Igreja e viver experiências fortes de fé que levaram muitos à decisão de doar-se totalmente a Cristo.
Esta XXV Jornada representa uma etapa rumo ao próximo Encontro Mundial dos Jovens, que terá lugar no mês de agosto de 2011 em Madri, onde espero sejais numerosos a viver este evento de graça.
Para nos prepararmos para tal celebração, gostaria de vos propor algumas reflexões sobre o tema deste ano: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17), tirado do episódio evangélico do encontro de Jesus com o jovem rico; um tema abordado já em 1985 pelo Papa João Paulo II numa belíssima Carta, a primeira dirigida aos jovens.
1.Jesus encontra um jovem
«Quando saía [Jesus], para se pôr a caminho – narra o Evangelho de São Marcos – aproximou-se dele um homem a correr e, ajoelhando-se, perguntou: “Bom mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?”. Jesus disse-lhe: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão só Deus. Sabes os mandamentos: não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, não defraudarás, honrarás teu pai e tua mãe”. Ele respondeu-lhe: “Mestre, tenho guardado tudo isto desde a minha juventude”. Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele, e respondeu-lhe: “Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me!”. Mas, ao ouvir tais palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, pois tinha grande fortuna» (Mc 10, 17-22).
Esta narração exprime de maneira eficaz a grande atenção de Jesus pelos jovens, por vós, pelas vossas expectativas, pelas vossas esperanças, e mostra como é grande o seu desejo de vos encontrar pessoalmente e entrar em diálogo com cada um de vós. De fato, Cristo interrompe o seu caminho para responder ao pedido do seu interlocutor, manifestando plena disponibilidade àquele jovem, que é impelido por um ardente desejo de falar com o «Bom Mestre», para aprender dele a percorrer o caminho da vida. Com este trecho evangélico, o meu Predecessor queria exortar cada um de vós a «desenvolver o próprio diálogo com Cristo – um diálogo que é de importância fundamental e essencial para um jovem» (Carta aos jovens, n. 2).
“O cristianismo não é primariamente uma moral, mas experiência de Jesus Cristo, que nos ama pessoalmente, jovens ou idosos, pobres ou ricos; ama-nos mesmo quando lhe voltamos as costas”.
2.Jesus fitou-o e sentiu afeição por ele
Na narração evangélica, São Marcos sublinha como «Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele» (Mc 10, 21). No olhar do Senhor, está o coração deste encontro muito especial e de toda a experiência cristã. De fato, o cristianismo não é primariamente uma moral, mas experiência de Jesus Cristo, que nos ama pessoalmente, jovens ou idosos, pobres ou ricos; ama-nos mesmo quando lhe voltamos às costas.
Comentando a cena, o Papa João Paulo II acrescentava, dirigindo-se a vós, jovens: «Faço votos por que experimenteis um olhar assim! Faço votos por que experimenteis a verdade de que Ele, Cristo, vos fixa com amor» (Carta aos jovens, n. 7). Um amor, que se manifestou na Cruz de maneira tão plena e total, que São Paulo escreve maravilhado: «Amou-me e entregou-se por mim» (Gl 2, 20). «A consciência de que o Pai nos amou desde sempre no seu Filho, de que Cristo ama cada um e sempre – escreve ainda o Papa João Paulo II – torna-se um ponto de apoio firme para toda a nossa existência humana» (Carta aos jovens, n. 7) e permite-nos superar todas as provas: a descoberta dos nossos pecados, o sofrimento, o desânimo.
Neste amor, encontra-se a fonte de toda a vida cristã e a razão fundamental da evangelização: se verdadeiramente encontramos Jesus, não podemos deixar de o testemunhar àqueles que ainda não se cruzaram com o seu olhar.
3.A descoberta do projeto de vida
No jovem do Evangelho, podemos vislumbrar uma condição muito semelhante à de cada um de vós. Também vós sois ricos de qualidades, energias, sonhos, esperanças: recursos que possuís em abundância! A vossa própria idade constitui uma grande riqueza não apenas para vós, mas também para os outros, para a Igreja e para o mundo.
O jovem rico pergunta a Jesus: «Que devo fazer?» A estação da vida em que vos encontrais é tempo de descoberta: dos dons que Deus vos concedeu e das vossas responsabilidades. É, igualmente, tempo de opções fundamentais para construir o vosso projeto de vida. Por outras palavras, é o momento de vos interrogardes sobre o sentido autêntico da existência, perguntando a vós mesmos: «Estou satisfeito com a minha vida? Ou falta-me ainda qualquer coisa»?
Como o jovem do Evangelho, talvez vós vivais também situações de instabilidade, de perturbação ou de sofrimento, que vos levam a aspirar a uma vida não medíocre e a perguntar-vos: em que consiste uma vida bem sucedida? Que devo fazer? Qual poderia ser o meu projeto de vida? «Que devo fazer a fim de que a minha vida tenha pleno valor e pleno sentido?» (Ibid., n. 3).
Não tenhais medo de enfrentar estas perguntas! Longe de vos acabrunhar, elas exprimem as grandes aspirações, que estão presentes no vosso coração. Portanto, devem ser ouvidas. Esperam respostas não superficiais, mas capazes de satisfazer as vossas autênticas expectativas de vida e felicidade.
Para descobrir o projeto de vida que vos pode tornar plenamente felizes, colocai-vos à escuta de Deus, que tem um desígnio de amor sobre cada um de vós. Com confiança, perguntai-lhe: «Senhor, qual é o teu desígnio de Criador e Pai sobre a minha vida? Qual é a tua vontade? Desejo cumpri-la». Estai certos de que vos responderá. Não tenhais medo da sua resposta! «Deus é maior que os nossos corações e conhece tudo» (1 Jo 3, 20)!
4.Vem e segue-me!
Jesus convida o jovem rico a ir mais além da satisfação das suas aspirações e dos seus projetos pessoais, dizendo-lhe: «Vem e segue-me!». A vocação cristã deriva de uma proposta de amor do Senhor.
Jesus convida o jovem rico a ir mais além da satisfação das suas aspirações e dos seus projetos pessoais, dizendo-lhe: «Vem e segue-me!». A vocação cristã deriva de uma proposta de amor do Senhor e só pode realizar-se graças a uma resposta de amor: «Jesus convida os seus discípulos ao dom total da sua vida, sem cálculos nem vantagens humanas, com uma confiança sem reservas em Deus. Os santos acolhem este convite exigente e, com docilidade humilde, põe-se a seguir Cristo crucificado e ressuscitado. A sua perfeição na lógica da fé, às vezes humanamente incompreensível, consiste em nunca se colocarem a si mesmos no centro, mas decidirem ir contra a corrente, vivendo segundo o Evangelho» (Bento XVI, «Homilia por ocasião das canonizações», in L’Osservatore Romano, 12-13/10/2009, pág. 6).
A exemplo de muitos discípulos de Cristo, acolhei também vós, queridos amigos, com alegria o convite a seguir Jesus, para viverdes intensa e fecundamente neste mundo. Com efeito, mediante o Batismo, Ele chama cada um a segui-lo com ações concretas, a amá-lo sobre todas as coisas e a servi-lo nos irmãos. Infelizmente, o jovem rico não acolheu o convite de Jesus e retirou-se pesaroso. Não encontrara coragem para se desapegar dos bens materiais a fim de possuir o bem maior proposto por Jesus.
A tristeza do jovem rico do Evangelho é aquela que nasce no coração de cada um, quando não tem a coragem de seguir Cristo, de fazer a escolha justa. Mas nunca é tarde demais para lhe responder!
Jesus nunca se cansa de estender o seu olhar de amor sobre nós, chamando-nos a ser seus discípulos; a alguns, porém, Ele propõe uma opção mais radical. Neste Ano Sacerdotal, gostaria de exortar os jovens e adolescentes a estarem atentos para ver se o Senhor os convida a um dom maior, no caminho do sacerdócio ministerial, e a tornarem-se disponíveis para acolher com generosidade e entusiasmo este sinal de predileção especial, empreendendo, com a ajuda de um sacerdote, do diretor espiritual, o necessário caminho de discernimento. Depois, não tenhais medo, queridos jovens e queridas jovens, se o Senhor vos chamar à vida religiosa, monástica, missionária ou de especial consagração: Ele sabe dar alegria profunda a quem responde com coragem.
E, a quantos sentem a vocação ao matrimônio, convido a acolhê-la com fé, comprometendo-se a lançar bases sólidas para viver um amor grande, fiel e aberto ao dom da vida, que é riqueza e graça para a sociedade e para a Igreja.
5.Orientados para a vida eterna
«Que devo fazer para alcançar a vida eterna?»: esta pergunta do jovem do Evangelho parece distante das preocupações de muitos jovens contemporâneos; porventura, como observava o meu Predecessor, «não somos nós a geração cujo horizonte da existência está completamente preenchido pelo mundo e pelo progresso temporal?» (Carta aos jovens, n. 5). Mas a questão acerca da «vida eterna» impõe-se em momentos particularmente dolorosos da existência, como quando sofremos a perda de uma pessoa querida ou experimentamos o insucesso.
Mas o que é a «vida eterna», de que fala o jovem rico? Jesus no-lo explica quando, dirigindo-se aos seus discípulos, afirma: «Hei-de ver-vos de novo; e o vosso coração alegrar-se-á e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). São palavras que indicam uma proposta sublime de felicidade sem fim: a alegria de sermos cumulados pelo amor divino para sempre.
O interrogar-se sobre o futuro definitivo que nos espera dá sentido pleno à existência, porque orienta o projeto de vida não para horizontes limitados e passageiros mas amplos e profundos, que levam a amar o mundo, tão amado pelo próprio Deus, a dedicar-se ao seu desenvolvimento, mas sempre com a liberdade e a alegria que nascem da fé e da esperança. São horizontes que nos ajudam a não absolutizar as realidades terrenas, sentindo que Deus nos prepara um bem maior, e a repetir com Santo Agostinho: «Desejemos juntos a pátria celeste, suspiremos pela pátria celeste, sintamo-nos peregrinos aqui na terra» (Comentário ao Evangelho de São João, Homilia 35, 9). Com o olhar fixo na vida eterna, o Beato Pier Giorgio Frassati – falecido em 1925, com a idade de 24 anos – dizia: «Quero viver; não ir vivendo!» e, numa fotografia a escalar uma montanha que enviou a um amigo, escrevera: «Rumo ao alto!», aludindo à perfeição cristã mas também à vida eterna.
Queridos jovens, exorto-vos a não esquecer esta perspectiva no vosso projeto de vida: somos chamados à eternidade. Deus criou-nos para estar com Ele, para sempre. Aquela ajudar-vos-á a dar um sentido pleno às vossas decisões e a dar qualidade à vossa existência.
6. Os mandamentos, caminho do amor autêntico
Jesus recorda ao jovem rico os dez mandamentos como condições necessárias para «alcançar a vida eterna». Constituem pontos de referência essenciais para viver no amor, para distinguir claramente o bem do mal e construir um projeto de vida sólido e duradouro. Também a vós, Jesus pergunta se conheceis os mandamentos, preocupando-vos em formar a vossa consciência segundo a lei divina, e se os pondes em prática.
Sem dúvida, trata-se de perguntas contra a corrente em relação à mentalidade contemporânea, que propõe uma liberdade desligada de valores, de regras, de normas objetivas, e convida a não colocar limites aos desejos do momento. Mas este tipo de proposta, em vez de conduzir à verdadeira liberdade, leva o homem a tornar-se escravo de si mesmo, dos seus desejos imediatos, de ídolos como o poder, o dinheiro, o prazer desenfreado e as seduções do mundo, tornando-o incapaz de seguir a sua vocação natural ao amor.
Deus dá-nos os mandamentos, porque nos quer educar para a verdadeira liberdade, porque quer construir conosco um Reino de amor, de justiça e de paz. Ouvi-los e pô-los em prática não significa alienar-se, mas encontrar o caminho da liberdade e do amor autênticos, porque os mandamentos não limitam a felicidade, mas indicam o modo como encontrá-la. No início do diálogo com o jovem rico, Jesus recorda que a lei dada por Deus é boa, porque «Deus é bom».
7.Temos necessidade de vós
Quem vive hoje a condição juvenil encontra-se a enfrentar muitos problemas resultantes do desemprego, da falta de referências ideais certas e de perspectivas concretas para o futuro. Às vezes pode-se ficar com a impressão de impotência diante das crises e derivas actuais. Apesar das dificuldades, não vos deixeis desencorajar nem renuncieis aos vossos sonhos! Pelo contrário, cultivai no coração desejos grandes de fraternidade, de justiça e de paz. O futuro está nas mãos de quem souber procurar e encontrar razões fortes de vida e de esperança. Se quiserdes, o futuro está nas vossas mãos, porque os dons e as riquezas que o Senhor guardou no coração de cada um de vós, plasmados pelo encontro com Cristo, podem dar esperança autêntica ao mundo! É a fé no seu amor que, tornando-vos fortes e generosos, vos dará a coragem de enfrentar com serenidade o caminho da vida e assumir as responsabilidades familiares e profissionais. Comprometei-vos a construir o vosso futuro através de percursos sérios de formação pessoal e de estudo, para servir o bem comum de maneira competente e generosa.
Na recente Carta Encíclica sobre o desenvolvimento humano integral, Caritas in veritate, enumerei alguns dos grandes desafios atuais que são urgentes e essenciais para a vida deste mundo: a utilização dos recursos da terra e o respeito pela ecologia, a justa repartição dos bens e o controle dos mecanismos financeiros, a solidariedade com os países pobres no âmbito da família humana, a luta contra a fome no mundo, a promoção da dignidade do trabalho humano, o serviço à cultura da vida, a construção da paz entre os povos, o diálogo inter-religioso, o bom uso dos meios de comunicação social.
São desafios a que sois chamados a responder para construir um mundo mais justo e fraterno. São desafios que requerem um projeto de vida exigente e apaixonante, no qual investir toda a vossa riqueza, segundo o desígnio que Deus tem para cada um de vós. Não se trata de realizar gestos heróicos ou extraordinários, mas de agir fazendo frutificar os próprios talentos e possibilidades, comprometendo-se a progredir constantemente na fé e no amor.
Neste Ano Sacerdotal, convido-vos a conhecer a vida dos santos, em particular a dos santos sacerdotes. Vereis que Deus os guiou, tendo encontrado o seu caminho dia após dia precisamente na fé, na esperança e no amor. Cristo chama cada um de vós a comprometer-se com Ele e a assumir as próprias responsabilidades para construir a civilização do amor. Se seguirdes a sua Palavra, também o vosso caminho se iluminará e vos conduzirá rumo a metas elevadas, que dão alegria e sentido pleno à vida.
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, vos acompanhe com a sua proteção. Asseguro-vos uma lembrança particular na minha oração e, com grande afeto, vos abençoo.
Estimados jovens de Turim
Queridos jovens que vindes
do Piemonte e das Regiões vizinhas!
Sinto-me verdadeiramente feliz por me encontrar convosco, nesta minha visita a Turim, para venerar o santo Sudário. Saúdo todos vós com grande afecto e agradeço-vos o acolhimento e o entusiasmo da vossa fé. Através de vós, saúdo toda a juventude de Turim e das Dioceses do Piemonte, com uma oração especial pelos jovens que vivem situações de sofrimento, de dificuldade e de confusão. Dirijo um pensamento especial e um forte encorajamento a quantos, no meio de vós, estão a percorrer o caminho rumo ao sacerdócio, à vida consagrada, assim como rumo a generosas escolhas de serviço aos últimos. Estou grato ao vosso Pastor, Cardeal Severino Poletto, pelas cordiais expressões que me dirigiu e agradeço aos vossos representantes que me manifestaram os propósitos, as problemáticas e as expectativas da juventude desta cidade e região.
Há vinte e cinco anos, por ocasião do Ano Internacional da Juventude, o venerável e amado João Paulo II dirigiu uma Carta Apostólica aos jovens e às jovens do mundo, centrada no encontro de Jesus com o jovem rico de que nos fala o Evangelho (cf. Carta aos Jovens, 31 de Março de 1985). Precisamente a partir desta página (cf. Mc 10, 17-22; Mt 19, 16-22), que foi objecto também na minha Mensagem do corrente ano para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria de vos transmitir alguns pensamentos que vos possam ajudar no vosso crescimento espiritual e na vossa missão no interior da Igreja e no mundo.
O jovem do Evangelho sabemo-lo pergunta a Jesus: “Que devo fazer para alcançar a vida eterna?”. Hoje, não é fácil falar de vida eterna e de realidades eternas, porque a mentalidade do nosso tempo nos diz que nada existe de definitivo: tudo muda e muito rapidamente. “Mudar” tornou-se, em muitos casos, a palavra de ordem, o exercício mais exaltante da liberdade, e deste modo também vós jovens sois levados muitas vezes a pensar que seja impossível realizar opções definitivas, que comprometam para a vida inteira. Mas este é o modo correcto de utilizar a liberdade? É realmente verdade que para sermos felizes temos que contentar-nos com alegrias momentâneas, pequenas e fugazes que, quando terminam, deixam a amargura no coração? Caros jovens, não é esta a verdadeira liberdade, a felicidade não se alcança assim. Cada um de nós é criado não para realizar certas opções provisórias e revogáveis, mas escolhas definitivas e irrevogáveis, que dão sentido pleno à existência. Vemos isto na nossa vida: cada experiência bonita, que nos enche de felicidade, gostaríamos que nunca mais terminasse. Deus criou-nos em vista do “para sempre”, colocou no coração de cada um de nós a semente para uma vida que realize algo de bonito e de grande. Tende a coragem das escolhas definitivas e vivei-as com fidelidade! O Senhor poderá chamar-vos ao matrimónio, ao sacerdócio, à vida consagrada, a um dom particular de vós mesmos: respondei-lhe com generosidade!
No diálogo com o jovem que possuía muitos bens, Jesus indica qual é a riqueza maior e mais importante da vida: o amor. Amar a Deus e amar aos outros com todo o nosso ser. A palavra amar – sabemo-lo – presta-se a várias interpretações e tem diversos significados: temos necessidade de um Mestre, Cristo, que nos indique o seu sentido mais autêntico e profundo, que nos oriente para a fonte do amor e da vida. Amor é o nome próprio de Deus. O Apóstolo João no-lo recorda: “Deus é amor”, e acrescenta que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e nos mandou o seu Filho”. E “se Deus nos amou deste modo, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1 Jo 4, 8.10-11). No encontro com Cristo e no amor recíproco experimentamos em nós a própria vida de Deus, que permanece em nós com o seu amor perfeito, total e eterno (cf. 1 Jo 4, 12). Portanto, não existe nada maior para o homem, um ser mortal e limitado, do que participar na vida de amor de Deus. Hoje vivemos num contexto cultural que não favorece relacionamentos humanos profundos e abnegados mas, ao contrário, induz com frequência a fechar-se em si mesmo, ao individualismo, a deixar prevalecer o egoísmo que existe no homem. Mas o coração de um jovem é por natureza sensível ao amor verdadeiro. Por isso, dirijo-me com grande confiança a cada um de vós e digo-vos: não é fácil fazer da vossa vida algo de bonito e de grande, é algo exigente, mas com Cristo tudo é possível!
No olhar de Jesus – como diz o Evangelho – que olha com amor para o jovem, sentimos todo o desejo que Deus tem de permanecer connosco, de estar próximo de nós; existe um desejo de Deus, do nosso sim, do nosso amor. Sim, dilectos jovens, Jesus quer ser vosso amigo, vosso irmão na vida, o Mestre que vos indica o caminho a percorrer para alcançar a felicidade. Ele ama-vos por aquilo que sois, na vossa fragilidade e debilidade, para que, tocados pelo seu amor, possais ser transformados. Vivei este encontro com o amor de Cristo numa relação forte com Ele; vivei-o na Igreja, principalmente nos Sacramentos. Vivei-o na Eucaristia, em que se torna presente o seu Sacrifício: Ele realmente doa o seu Corpo e o seu Sangue por nós, para redimir os pecados da humanidade, para que nos tornemos um só com Ele, para que aprendamos também nós a lógica do doar-se. Vivei-o na Confissão onde, oferecendo-nos o seu perdão, Jesus acolhe-nos com todos os nossos limites para nos dar um coração novo, capaz de amar como Ele. Aprendei a ter familiaridade com a palavra de Deus, a meditá-la, de maneira especial na lectio divina, a leitura espiritual da Bíblia. Finalmente, sabei encontrar o amor de Cristo no testemunho de caridade da Igreja. Turim oferece-vos, na sua história, exemplos maravilhosos: segui-os, vivendo concretamente a gratuidade do serviço. Tudo, na comunidade eclesial, deve ser finalizado para fazer com que os homens sintam concretamente a caridade infinita de Deus.
Estimados amigos, o amor de Cristo pelo jovem do Evangelho é o mesmo que Ele tem por cada um de vós. Não é um amor confinado no passado, não é uma ilusão e não é reservado a poucos. Vós encontrareis este amor e experimentareis toda a sua fecundidade, se procurardes o Senhor com sinceridade e se viverdes com empenhamento a vossa participação na vida da comunidade cristã. Cada um se sinta “parte viva” da Igreja, comprometido na obra de evangelização, sem medo, num espírito de harmonia sincera com os irmãos na fé e em comunhão com os Pastores, saindo de uma tendência individualista também na vivência da fé, para respirar a plenos pulmões a beleza de fazer parte do grande mosaico da Igreja de Cristo.
Nesta tarde não posso deixar de vos indicar como modelo um jovem da vossa Cidade: o Beato Piergiorgio Frassati, cujo vigésimo aniversário de beatificação se celebra este ano. A sua existência foi inteiramente envolvida pela graça e pelo amor de Deus e foi consumida, com serenidade e alegria, no serviço apaixonado a Cristo e aos irmãos. Jovem como vós, viveu com grande dedicação a sua formação cristã e deu o seu testemunho de fé, simples e eficaz. Um jovem fascinado pela beleza do Evangelho das Bem-Aventuranças, que experimentou toda a alegria de ser amigo de Cristo, de O seguir, de se sentir de forma viva parte da Igreja. Prezados jovens, tende a coragem de escolher aquilo que é essencial na vida! “Viver e não simplesmente ir vivendo”, repetia o Beato Piergiorgio Frassati. Como Ele, descobri que vale a pena comprometer-se por Deus e com Deus, responder à sua chamada nas escolhas fundamentais e nas opções quotidianas, mesmo quando custa!
O percurso espiritual do Beato Piergiorgio Frassati recorda que o caminho dos discípulos de Cristo exige a coragem de sair de si mesmo, para seguir a estrada do Evangelho. Vós viveis nas paróquias e nas outras realidades eclesiais este caminho exigente do espírito; vivei-lo também na peregrinação das Jornadas Mundiais da Juventude, encontro sempre esperado. Sei que estais a preparar-vos para o próximo grande encontro, programado em Madrid em Agosto de 2011. Faço votos de coração a fim de que este acontecimento extraordinário, no qual espero que possais participar em grande número, contribua para fazer crescer em cada um o entusiasmo e a fidelidade no seguimento de Cristo e no acolhimento jubiloso da sua mensagem, fonte de vida nova.
Jovens de Turim e do Piemonte, sede testemunhas de Cristo neste nosso tempo! O santo Sudário seja para vós de maneira totalmente particular um convite a imprimir no vosso espírito o rosto do amor de Deus, para serdes vós mesmos, nos vossos ambientes, com os vossos coetâneos, uma expressão credível do rosto de Cristo. Maria, que venerais nos vossos Santuários marianos, e São João Bosco, Padroeiro da juventude, vos ajudem a seguir Cristo, sem jamais vos cansardes. E vos acompanhem sempre a minha oração e a minha Bênção, que vos concedo com grande carinho.