A importância de educar as crianças para a fé.

Meu nome é Bruna Madureira, tenho 32 anos, casada há 3 anos e 10 meses com
Cristian Madureira, mãe do Miguel, de 2 anos e 5 meses, missionária na Rede de Missão
Campus Fidei, em Brasília, Distrito Federal.
Na Rede de Missão na qual sou membro, cujo carisma é “ser e formar uma
geração mais enraizada na fé e fecunda em boas obras”, costumamos dizer que Deus se
manifesta nos detalhes e que, por isso, devemos estar atentos às suas surpresas. Posso
afirmar que encontrar o site do Eduardo Henrique dedicado a São Pier Giorgio Frassati
foi uma bela surpresa de Deus.
Enquanto decidia sobre qual santo escolheria para ser representado por meu filho
na Festa da Santidade em Família, na Rede de Missão, no dia em que celebramos a
Solenidade de Todos os Santos, lembrei que um outro santo jovem havia sido canonizado
juntamente com Carlo Acutis, no dia 07 de setembro. Foi quando senti que precisava
conhecê-lo.
A história de Pier Giorgio Frassati me cativou. A sensação era de estar iniciando
uma amizade por meio da curiosidade e da admiração que surgia enquanto me
aprofundava na sua vida. Vejo que seu exemplo é a resposta para muitas das mazelas
vividas pela juventude atual. Aquela imagem de um jovem no cume de uma montanha,
apoiado em um bastão de alpinista, um cachimbo na boca, um estilo mais despojado e,
acima dele, apenas o céu, tudo azul a sua volta…
À primeira vista, um aventureiro, brincalhão, carismático e rebelde. O que me
surpreende é que, mesmo agora, que o conheço um pouco mais e compreendo sua
santidade, acredito que seja justo permanecer com essa mesma descrição e direi logo mais
o porquê.
Na oração da Rede de Missão Campus, suplicamos ao Espírito Santo que Ele
“levante uma geração de discípulos missionários que não se envergonhem do Teu
Evangelho e da Tua Igreja, uma geração de jovens e famílias que, pela intercessão de São
João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá, sejam OUSADOS, CRIATIVOS e CORAJOSOS
para viver e anunciar as obras da Tua misericórdia”.
Frassati foi extremamente ousado, sendo um rebelde que só um santo poderia
ser ao viver a radicalidade do Evangelho; criativo, pois o seu bom humor e carisma eram
meios para evangelizar, para criar pontes, fazer amigos, ao ponto de criar uma sociedade
intitulada “Sociedade dos Tipos Suspeitos”, onde se aproximava dos mais
marginalizados, com o cuidado de quem se preocupa com a salvação das almas; corajoso,
porque não abriu mão de sair de si, de se despojar dos bens, para ir ao encontro do outro
onde quer que ele estivesse, sendo um dom para todos a sua volta. Pensei: “impossível
não ser fisgado por sua beleza e grandeza”.
Um dos nossos lemas na Rede de Missão é: “Buscai as coisas do Alto!”. Temos
uma analogia com os balões de ar quente, que precisam de esforço para manter o fogo
aceso e continuar subindo, onde só no céu encontrarão repouso. Frassati escalava
montanhas, como quem dependia daquele percurso íngreme para alcançar o Céu que tanto
desejava, dando tudo de si para, lá de cima, adorar Deus e contemplar toda a Sua criação.
Mas de tudo o que me chamou atenção na sua biografia, ressalto: aquele jovem
“rebelde”, a seu modo, amava com todas as suas forças a Eucaristia e acreditava que a
tristeza deve ser erradicada da alma do católico, pois, em suas palavras, “a finalidade
para a qual fomos criados nos mostra o caminho que, mesmo com muitos espinhos, não
é de nenhum modo triste. É um caminho alegre, mesmo através da dor.”
Li que, no final de sua vida, Frassati cogitava o sacerdócio como sua vocação.
Na minha mediocridade, entendo que talvez não fosse mesmo esse o desejo de Deus para
Frassati. Talvez, Deus quisesse que venerássemos um santo jovem, no cume de uma
montanha, de estilo despojado, bastão de alpinista e um cachimbo na boca, cujo sorriso
largo, um sorriso de uma alma verdadeiramente feliz pela certeza de que tinha tudo por
meio do seu Pai, refletisse para tantos outros jovens a santidade que devemos alcançar.
Na Festa da Santidade em Família, meu filho venceu o 1º lugar no quesito
fantasia mais surpreendente. Mas acredito que nossa maior recompensa foi ter divulgado
esse santo que, agora, podemos chamar de amigo, para tantas outras famílias.
Que São Pier Giorgio Frassati seja um amigo fiel do meu Miguel, presente na
nossa família, e um grande intercessor da Rede de Missão Campus Fidei. Que sua história
continue a cativar cada vez mais pessoas, despertando em todos a vontade de buscar as
coisas do Alto, sempre!
São Pier Giorgio Frassati, rogai por nós

Reliquia de São Pier Giorgio Frassati é entronizada no Mosteiro Nossa Senhora da Paz.

No dia 18 de outubro de 2025, no Mosteiro Nossa Senhora da Paz https://www.mnspaz.com/) localizado na cidade de Itapecerica da Serra- SP, foi entronizado a relíquia de São Pier Giorgio Frassati. A relíquia foi acolhida com grande solenidade pela comunidade monástica beneditina e pela abadessa Madre Martha Lucia, que após o oficio de Tércia contou com uma conferência feita por Eduardo Henrique sobre a bela figura de São Pier Giorgio. A relíquia ficará exposta permanentemente na entrada principal da clausura juntamente com São Carlo Acutis.

São Pier Giorgio Frassati, modelo de vida do beato Alberto Marvelli.

Alberto Marvelli (1918-1946), um jovem formado no oratório salesiano de Rimini, viveu sua curta vida no compromisso diário de servir aos outros, com toda a intensidade que suas forças permitiam. Sua vida normal, mas intensamente cristã, levou-o à santidade, sendo beatificado em 2004 pelo Papa São João Paulo II.


Alberto Marvelli, “engenheiro da caridade”, tem o charme de uma santidade extraordinariamente normal. Alberto tem um pai gerente de banco e uma família muito cristã. Ele nasceu em Ferrara em 1918, mas aos 13 anos de idade ele e sua família se estabeleceram permanentemente em Rimini, seguindo seu pai em suas viagens de negócios. É um garoto de saúde robusta e temperamento impetuoso, mas também é tão sério que às vezes nos faz pensar em um homem adulto. Ele faz o ginásio em meio a sessões de estudo e competições esportivas sensacionais. Aos 15 anos, matriculou-se na escola secundária clássica. Mas naqueles mesmos meses, a família foi duramente atingida pela morte de seu pai. Ele já é aspirante a delegado e animador do oratório na paróquia de Maria Auxiliadora. Ele ensina catecismo, anima as reuniões e organiza a missa dos jovens. Com apenas 18 anos, tornou-se presidente da Ação Católica.
Ao iniciar o ensino médio, Alberto começou seu diário e escreveu: “Deus é grande, infinitamente grande, infinitamente bom”. Mas ele registraria ali seu crescimento como homem e como cristão ao longo de sua vida. Fica fascinado com a leitura da biografia de Pier Giorgio Frassati, escrita pelo salesiano Dom Antonio Cojazzi. Pier Giorgio Frassati passa ser seu modelo de vida e inspiração espiritual. Marvelli será o primeiro discípulo de Pier Giorgio a ser beatificado. Nele lemos um “pequeno esquema” rigoroso e forte que ele se dá. Ele propõe em particular: oração e meditação pela manhã e à noite, o encontro com a Eucaristia, se possível também todos os dias, a luta contra os maiores defeitos: preguiça, gula, impaciência, curiosidade… Um programa que Alberto implementará por toda a sua vida.

Estudante viajante
Entre os 60 candidatos ao certificado de conclusão da escola clássica, Alberto fica em segundo lugar. Em 1º de dezembro de 1936 (aos 18 anos), ele começa seu primeiro ano de engenharia na Universidade de Bolonha. Assim começou a vida de um estudante que se desloca entre Rimini e Bolonha. Estudo e apostolado nas duas cidades. A empregada da tia que o hospedou em Bolonha testemunharia com palavras simples: “Eu costumava vê-lo dia e noite trabalhando duro para a universidade e para o apostolado. Às vezes eu o encontrava dormindo sobre seus livros e com o rosário na mão. De manhã, eu o via na igreja às 6h para a missa e a comunhão. Se os compromissos não lhe permitiam comungar mais cedo, ele jejuava até o meio-dia. Ele impunha uma penitência formidável ao seu apetite”.
Enquanto Alberto está terminando a universidade, irrompe na Europa o ciclone da Segunda Guerra Mundial. A Itália também foi envolvida por ele. Formado em engenharia, de agosto a novembro de 1940 Alberto estava em Milão, empregado na fundição Bagnagatti, sob os primeiros bombardeios. O industrial testemunhará: “Ele passou alguns meses comigo. Ele se familiarizou imediatamente com todos os funcionários e, particularmente, com os mais jovens e humildes. Ele se interessou pelas necessidades familiares dos trabalhadores e apontou para mim as necessidades particulares de cada um, solicitando a ajuda que considerava adequada. Visitava os doentes e incentivava os aprendizes a frequentar as escolas noturnas. Incutiu em todos um senso imediato e vivo de simpatia e cordialidade”.
30 de junho de 1941. Quando a Itália começa seu segundo ano de guerra, Alberto se forma em engenharia industrial com notas máximas. Logo depois, ele também veste o uniforme verde-acinzentado e parte como soldado.

O serviço militar e a guerra
Em janeiro de 1943, os russos lançaram sua ofensiva em toda a frente ocidental. O Armir (exército italiano na Rússia), que ocupava o fronte no Don, foi forçado a uma lendária retirada pelos intermináveis campos congelados, enquanto os russos e o gelo matavam. Lá em cima, Rafael Marvelli acaba de chegar e é morto em combate. Para Mamãe Maria, é uma hora muito difícil. Alberto escreveu em seu diário palavras cruas e sangrentas: “A guerra é um castigo para a nossa maldade, para punir nosso pouco amor a Deus e aos homens. Está faltando o espírito de caridade no mundo, e por isso nos odiamos como inimigos em vez de nos amarmos como irmãos”.
Ele é destinado a um quartel em Treviso. E é lá que acontece o “milagre” de Marvelli. O P. Zanotto, pároco de Santa Maria de Piave, escreveu: “Quando o engenheiro Marvelli chegou a Treviso, no quartel de dois mil soldados, todos blasfemavam e reinava a vida desregrada. Depois de algum tempo, ninguém mais blasfemava, quero dizer, ninguém, nem mesmo os superiores. O coronel, que era um blasfemador, dedicou-se a reprimir a blasfêmia entre os soldados. Em setembro, a Itália se retirou da guerra. O exército se desfaz. Alberto está em casa. Mas a guerra ainda não acabou. Os soldados alemães ocuparam a Itália, e os aliados intensificaram o bombardeio de nossas cidades.

Entre os refugiados em San Marino
Em 1º de novembro, Rimini foi atingida pelo primeiro bombardeio aéreo. Ela sofreu trezentas baixas e foi reduzida a um tapete de escombros. Eles tiveram que fugir para bem longe, para a República livre de San Marino. Em poucas semanas, esse selo de terra livre passa de 14 mil para 120 mil habitantes.
Alberto chega lá segurando o cabresto de um burro. Na carroça, está sua mãe. Jorge e Gertrudes empurram bicicletas carregadas de comida para sobreviver. Eles são aceitos em um dos dormitórios da faculdade Belluzzi. Outras famílias estão nos armazéns da República, e muitas outras se amontoam nos túneis da ferrovia.
É muito fácil, em momentos como esse, fechar-se em si mesmo, pensar na sobrevivência de seus entes queridos e nada mais. Em vez disso, Alberto está no centro da assistência, disponível para todos. Uma testemunha escreve: “À noite, ele rezava o terço em voz alta nos dormitórios do colégio Belluzzi, depois ia dormir da melhor forma possível junto aos conventuais; e pela manhã, na igreja cheia de refugiados, ele ajudava a missa e comungava. Em seguida, ia novamente a todas as ruas para encontrar a todos os necessitados. Ele tomava nota das necessidades e, quando não podia chegar, confiava o trabalho a outros. Ele entrava nos túneis de onde as pessoas não ousavam sair”. Domingos Mondrone acrescenta: “Todos os dias ele pedalava quilômetros, coletando alimentos. Às vezes, voltava para casa com a mochila perfurada por estilhaços que explodiam de todos os lados. Mas ele, com amigos que imitavam sua coragem, não parava”.

Queriam que ele fosse prefeito
21 de novembro de 1944. Os Aliados entram em Rimini. Ao redor, vilarejos e bosques em chamas, engarrafamentos de carroças, caminhões e carros. Mortes e desolação. Alberto volta para lá com sua família. Ele encontra sua casa (atingida, mas ainda habitável) ocupada por oficiais britânicos. Os Marvelli se instalam no porão da melhor maneira possível. Naquele terrível inverno (o último da guerra), Alberto se torna o servo de todos. O Comitê de Libertação confiou a ele o escritório de habitação, o município confiou-lhe a engenharia civil para a reconstrução, o bispo lhe entrega os “graduados católicos” da diocese. Os pobres cercavam permanentemente as duas pequenas salas de seu escritório e o seguiam até em casa quando ele ia comer alguma coisa com sua mãe. Alberto nunca rejeita um só deles. Ele diz: “Os pobres passem logo, os outros tenham a cortesia de esperar”. Após a paz, a miséria das pessoas continuou. Na guerra, muitos perderam tudo.
O ano de 1946 é devorado dia a dia por necessidades intermináveis, todas urgentes. Alberto vai à missa, depois fica à disposição. No final daquele ano, ocorrem as primeiras eleições locais. Batalhas acirradas entre comunistas e democratas cristãos. Um comunista, que via em Marvelli todos os dias não um democrata-cristão, mas um cristão, disse: “Mesmo se meu partido perder… contanto que o engenheiro Marvelli seja prefeito”. Ele não se tornará. Na noite de 5 de outubro, ele jantou rapidamente ao lado de sua mãe e depois saiu de bicicleta para realizar um comício em São Juliano do Mar. A 200 metros de sua casa, um caminhão aliado em alta velocidade o atinge, joga-o no jardim de uma casa e ele desaparece na noite. Ele é recolhido pelo trólebus. Morre duas horas depois. Ele tem 28 anos de idade. Quando seu caixão passa pelas ruas, os pobres choram e mandam beijos. Um cartaz proclama em letras garrafais: “Os comunistas de Bellariva se curvam reverentemente para saudar seu filho, seu irmão, que espalhou tanto bem nesta terra”.

Sua memória comemora-se no dia 6 de outubro.


dom Mario PERTILE, sdb

São Pier Giorgio Frassati e a devoção a Nossa Senhora.

“Se me perguntarem qual foi o meio seguro em que ele se baseou para alcançar uma obra-prima tão constante de uma vida intimamente unida a Deus, não hesito em responder que o segredo da perfeição espiritual de Pier Giorgio reside especialmente em sua assídua, sincera, profunda e terna devoção a Maria Santíssima. Todos nós que convivemos com Pier Giorgio por alguns anos não conseguimos separar a lembrança dele, da lembrança de seu amor filial por Maria.”
Marco Beltramo ( Um dos melhores amigo de São Pier Giorgio Frassati)

Os Dons do Espírito Santo na alma de Pier Giorgio Frassati

O espírito de Pier Giorgio manifesta-se através das múltiplas expressões interiores e exteriores de seu caráter especial, sob a ação cada vez mais intensa dos dons do Espírito Santo, que fazem resplandecer, no exercício das virtudes, não o mundo humano, mas o mundo divino e, portanto, o mundo heroico: aqueles que são assim guiados não precisam se orientar segundo normas comuns, porque são conduzidos pelo mais elevado instinto interior que vem do Espírito Santo.
1. O caráter intuitivo sobrenatural não pertence à fé, pois esta é simples adesão ao que não se vê, mas é efeito do dom do “entendimento”. Ora, esse caráter sobressai no espírito de Pier Giorgio.
2. O senso da vaidade das coisas terrenas — honras, riquezas, poder, glória, aparências, festas — é efeito do dom da “ciência”, que, através das criaturas, nos faz conhecer instintivamente o Criador e também compreender, por certo instinto, os perigos de ofendê-lo e deles fugir. Esse triplo efeito constitui, de algum modo, a trama da vida interior de Pier Giorgio, cada vez mais evidente em seu cotidiano.
3. Seguir as razões supremas e eternas da vida e ordenar as próprias ações segundo os ideais eternos é efeito da “sabedoria”, dom inseparavelmente unido à caridade, pelo qual nasce o gosto pelas coisas divinas e o juízo sempre preciso sobre as coisas temporais à luz da eternidade. O olhar amoroso que contempla Deus no mundo, na história, na sociedade e na Igreja forma a tríplice manifestação da sabedoria cristã como dom do Espírito Santo. Ora, isto se revela sempre mais claramente em Pier Giorgio, cujo olhar interior sereno se fixa nas realidades supremas que regem a vida terrena, e cujo juízo (sempre exato nas coisas da caridade e sempre vigilante nas coisas de Deus) procede de uma profunda “simpatia” por elas e, portanto, de uma disposição habitual cada vez mais acentuada e emergente, própria do dom da sabedoria.

Assim, os dons que, em geral, são predominantemente intelectuais, adquirem em Pier Giorgio uma luminosidade particular. Quanto aos outros dons — característicos dos santos como homens de ação — não seria difícil reconhecer suas linhas emergentes em Pier Giorgio.
4. O “temor de Deus”, que imprime na alma um profundo senso de reverência e humilde submissão, temor filial e puro, que nada no mundo deseja ofender a Deus.
5. O “conselho”, que guia a vida, fazendo com que sempre, através das dificuldades e obstáculos, se desenrole o caminho justo, fielmente seguido até o fim.
6. A “piedade”, que traz para as práticas da vida religiosa o sentimento do filho para com o Pai celeste.
7. A “fortaleza”, que, como dom do Espírito Santo, concede ao nosso espírito uma santa ousadia para realizar o bem, sem temer nada, nem mesmo a morte, pois esta é a condição para ver e amar Deus para sempre na glória: o fim dos dias terrenos aparece, assim, como “o mais belo”.

(Do livro “Beato Pier Giorgio Frassati, terciário dominicano”)

Leão XIV: por intercessão de Acutis e Frassati, pedir o dom da fé a crianças e jovens

“Que setembro seja um mês de oração pelas crianças e jovens que voltam às aulas e por aqueles que cuidam da sua educação. Peçam por eles, pela intercessão dos Beatos, e em breve Santos, Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis, o dom de uma fé profunda em seu caminho de amadurecimento”, disse Leão XIV durante a saudação aos fiéis de língua polonesa na Audiência Geral. A canonização dos futuros santos está marcada para domingo, 7 de setembro.
O Papa Leão XIV, na Audiência Geral desta quarta-feira (03/09), de volta à Praça São Pedro, refletiu sobre a humanidade de Cristo nos últimos momentos antes da sua morte, quando na cruz ele diz ter sede e lhe é oferecida uma esponja embebida em vinagre. “Na sede de Cristo podemos reconhecer toda a nossa sede”, disse o Pontífice, “não há nada de mais humano, nada de mais divino, do que saber dizer: eu preciso”. A sede do Senhor na cruz, recordou o Pontífice durante as saudações aos peregrinos vindos de diferentes partes do mundo, como do Brasil e de Portugal, ensina que pedir não é indigno, mas libertador:

“Saúdo cordialmente os fiéis de língua portuguesa, de modo especial os grupos vindos de Portugal e do Brasil. Jamais devemos nos envergonhar de pedir: todos nós temos necessidade do Senhor e da sua graça. Peçamos a Ele a água viva que sacia a nossa sede de Deus. Deus os abençoe!”Entregar a fraqueza a Deus sem vergonha

Aprender “a arte de pedir sem vergonha e de oferecer sem cálculo”, também foi enaltecido pelo Papa ao se dirigir aos fiéis de língua francesa, em especial, os provenientes de Luxemburgo e da França: “assim construiremos relações fraternas, verdadeiras e autênticas, portadoras de uma alegria que o mundo não conhece”, acrescentou o Pontífice. Aos peregrinos de língua áraba, Leão XIV reforçou:

“O cristão é chamado a entregar a sua fraqueza a Deus sem vergonha nem medo, porque só Ele é capaz de transformá-la numa ponte que conduz ao céu.”

Por intercessão dos futuros santos, Acutis e Frassati

Quando o Papa se dirigiu aos fiéis de língua polonesa, recordou que, passadas as férias de verão, o período é para retomar o ano escolar na Europa. Em véspera de duas importantes canonizações no próximo domingo, 7 de setembro, no Vaticano, Leão XIV também disse para pedir a intercessão dos futuros santos, os italianos Carlo Acutis e Pior Giorgio Frassati, o dom da fé. São dois jovens, que faleceram aos 15 e 24 anos respectivamente, que seguiam os valores do Evangelho e até hoje inspiram as famílias e irradiam a luz de Jesus a todos:

“Que setembro seja um mês de oração pelas crianças e jovens que voltam às aulas e por aqueles que cuidam da sua educação. Peçam por eles, pela intercessão dos Beatos, e em breve Santos, Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis, o dom de uma fé profunda em seu caminho de amadurecimento.”

A canonização de Pier Giorgio Frassati, o coroamento de uma vida.

De 1932 até hoje: a história do longo e árduo caminho da causa de beatificação reconstruída através de documentos, testemunhos e atos oficiais.

Pier Giorgio Frassati, beato. A Igreja o indica como modelo de vida cristã. Faz isso oficialmente, a 65 anos de sua morte. Antes de colocar alguém sobre os altares, a Igreja cumpre acuradas pesquisas, exigindo, como confirmação divina do julgamento humano, as provas de um ou mais milagres. Em resumo, procede com pés de chumbo: um justo exercício de prudência. As pessoas, porém, querem os caminhos mais curtos. A fama de santidade de Pier Giorgio desabrocha no próprio dia de seus funerais, 6 de julho de 1925, em Torino. A respeito anota sua irmã, Luciana Frassati: “A rua, eram 9 da manhã, quase não continha as milhares de pessoas que acorriam de todos os lados da cidade. Aos muitos que já se tinham alternado pelos quartos de casa e que quiseram misturar suas lágrimas às nossas, se juntava agora a maré incontrolável de uma turba de desconhecidos, velhos e jovens, pobres e ricos.” A turba à qual se refere Luciana Frassati tem o semblante dos amigos de Pier Giorgio; dos indigentes que ele conheceu em sótãos insalubres, ajudando-os; tem a memória de quantos lembram sua caridade nutrida de fé pura.
Em 2 de julho, o então arcebispo de Torino, cardeal Maurílio Fossati, abre o processo informativo ordinário. Até 23 de outubro de 1935, em 232 sessões, são ouvidas 25 testemunhas (mas não sua irmã, inexplicavelmente), em parte convocadas pelo postulador da causa, o salesiano D. Francesco Tomasetti e em parte pelo Tribunal eclesiástico, chamado a cuidar do “caso pier Giorgio”. O material coletado foi enviado para Roma. E em Roma, na Santa Sé, entre 1937 e 1939, escrevem 6 cardeais, numerosos bispos, superiores de institutos religiosos, reitores de universidades, dirigentes de movimentos e associações, homens e mulheres simples. Todos pedem uma única coisa: “Proclamem santo a Pier Giorgio. É um exemplo para se imitar.”
Alguma coisa, porém, não dá certo. Em dezembro de 1941chega ao Vaticano uma citação “reservadissima” e anônima. Alguém coloca duvidas a respeito da integridade de conduta de Pier Giorgio fazendo referencia a um passeio feito na companhia de amigas no parque turinese de Valentino, jogando sombras sobre as excursões pelas montanhas organizadas junto com outros rapazes e moças e acenando, enfim, a uma afetuosa simpatia de Pier Giorgio nos encontros com a senhorita Laura Hidalgo. Tratam-se de insinuações, de falatórios. Nada de mais. Pensando-se hoje nas preocupações de então, nos vem um sorriso. Um passeio, à luz do Sol, em um parque; excursões programadas e feitas em grupo, de forma despreocupada, certo, mas moralmente séria; apaixonar-se por uma moça: todas coisas normais, normalíssimas. E bonitas.

Controvérsias esclarecidas

A “denúncia” influiu negativamente no voto da Sagrada Congregação dos Ritos, que naquela época cuidava também das causas dos santos: sete membros são a favor de Pier Giorgio, 5 pedem para confirmar o parecer após ulteriores acertos, um deles diz de pronto ser contrario a ver o jovem turinese indicado como modelo. A palavra passa ao Papa, Pio XII, o qual pede (12 de dezembro de 1941) que primeiro se prossigam as averiguações (“dilata et ad mentem”) e depois (4 de junho de 1944) dispõe o “reponatur”, ou seja, o arquivamento, confirmado ainda em 15 de janeiro de 1945 (“non expedire”). A causa, então, é bloqueada. As dificuldades, surgidas como conseqüência de suposições e não de provas, parecem não ter solução.
Passa também o furacão da Segunda Guerra mundial. Entre 1949 e 1951, a irmã, Luciana Frassati, colhe, por iniciativa própria, 900 peças, entre documentos, declarações, testemunhos. Um trabalho precioso o seu. Conclui toda a busca em uns vinte dossiês e informa ao Vaticano o que fez. Giovanni Battista Montini, então substituto junto à Secretaria de Estado, em 2 de julho de 1951, sob disposição de Pio XII, pede ao pro-prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, cardeal Clemente Micara, de confiar a um consultor a incumbência de examinar se a documentação da sra. Frassati era tal que justificasse o consentimento da reabertura da causa de beatificação de Pier Giorgio. A delicada tarefa foi dada a um franciscano conventual, padre Gaetano Stano, o qual a 22 de janeiro de 1953, com um relatório de 40 páginas datilografadas se diz substancialmente favorável à reabertura da causa, ainda que, precisa ele, “um julgamento adequado e conclusivo poderia ser dado apenas com a validação integral de todos os documentos recuperados”, cobertos naquele momento por uma cortina de segredo impenetrável também para ele, segredo que torna inexplicável o soterramento do processo de beatificação.
A obra da sra. Frassati e do padre Stano esclarecem todavia os pontos de controvérsia, do inocentissimo passeio (descobriu-se que do passeio ao Valentino participaram sete jovens, cinco rapazes e duas moças, e se confirma que na época Pier Giorgio tinha 14 anos), das excursões pela montanha, ao amor (intenso, puro, nunca declarado) por Laura Hidalgo.

O afeto por Laura

Giovanni Battista Montini torna-se Papa com o nome de Paulo VI. Em 1965, os salesianos, através de uma petição, pedem ao cardeal Arcádio Larraona, prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, o desbloqueio da causa. O cardeal, com uma carta datada de 18 de agosto de 1965, encarrega o jesuíta turinese padre Paolo Molinari de desenvolver uma investigação complementar que foi concluída em 17 de abril de 1967. O material recolhido por pe. Molinari é muito significativo: serve não apenas para dissolver qualquer dúvida, mas mais ainda, coloca em evidência a riqueza cristã de Pier Giorgio.
Solicitado hoje a falar sobre aquela sua investigação, pe. Molinari, com um educado ‘sem comentários’, prefere respeitar a reserva pedida então pelos vértices da Igreja. ”Posso dizer que as dúvidas foram todas dirimidas porque todas são absolutamente sem fundamentos”, afirma. Devemos nos perguntar se não havia malevolência no que dizia respeito ao jovem turinese, malevolência que encontrou sua “obra prima” na voz, falsa, colocada para circular não se sabe por quem, de se ter encontrado o corpo de Pier Giorgio em atitude descomposta, desesperada.”
Todas bobagens sem sentido. Algumas palavras pe. Molinari usa para falar sobre o afeto de Pier Giorgio por Laura Hidalgo: “É a meu ver uma das condutas mais heróicas de Frassati. Temia que o seu eventual noivado com a Hidalgo pudesse provocar, por vários motivos, o rompimento do casamento de seus pais. Antes de se tornar obstáculo ao vínculo sacramental de seus pais, renunciou voluntariamente ao seu sonho pessoal de amor.”

O desejo do Papa

O clima geral, se compreende, melhorou notadamente. Mas não aconteceu nada de novo até 1974. A 21 de agosto daquele ano, o cardeal Giovanni Villot, secretario de Estado, pede ao Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos (agora separada daquela dos Ritos) para reexaminar atentamente o capítulo referente à Pier Giorgio: “É um desejo do Papa”, especifica. Finalmente cai o segredo. Todos os documentos coletados até então podem ser estudados por quem de dever (é encarregado novamente pe. Gaetano Stano). E o próprio pe. Stano, em 15 de novembro de 1976, apresenta as suas conclusões: “O abaixo assinado anuncia que os resultados das indagações trouxeram a desejada luz sobre os fatos duvidosos em questão, e portanto, dissipada qualquer dúvida sobre a retidão moral de Pier Giorgio Frassati, não vê que outro preventivo obstáculo pudesse impedir o desenvolvimento de uma causa cuja positiva relevância obteve tão numerosos e sérios reconhecimentos.” Em 20 de janeiro de 1977, Paulo VI remove o “reponatur” que se arrastava desde 4 de junho de 1944, decretando ao mesmo tempo o “procedatur ad ulteriora”.

Depois de 33 anos, o processo de beatificação se coloca lentamente em movimento. A irmã, Luciana Frassati, intensifica os contatos com padre Molinari, ao qual pediu ardorosamente que se ocupasse da causa. Em 20 de junho de 1977 a Ação Católica Italiana assume o papel de “atora”, ou seja, aquela que desejando profundamente a beatificação de Pier Giorgio, promove as ações

Uma cura impossível

O milagre aconteceu em S. Quirino, Friuli, pouco afastada de Pordenone, a 28 de dezembro de 1933. Domenico Sellan, classe 1892, já ferido nas costas durante a Primeira Guerra mundial, desde o dia 20 de setembro daquele ano, era obrigado a ficar na cama devido a uma séria lesão da primeira e segunda vértebras lombares. A sua cruz era chamada mal de Pott. Escreveu, a propósito, o seu médico, Dr. Dionísio Sina: “O Sellan perdeu completamente a sensibilidade dos membros inferiores, com repetidas manifestações de meningismo, constantes perdas de memória e dores de cabeça lancinantes. Examinando-o, constatei o agravamento do mal de Pott que traria como conseqüência a paralisia completa das pernas.”

Na manhã daquele 28 de dezembro de 1933, o então pároco da cidade, d. Pietro Martin, visitou Sellan, entregando-lhe uma pequena imagem de Pier Giorgio Frassati. Ficou com ele até a noite. “Ele”, contou o pároco, “quis imediatamente se confessar e quis que lhe trouxessem o viático. Sentiu imediatamente a recuperação de suas forças e com vivo fervor indicou de imediato como autor de tanta graça Pier Giorgio Frassati. As pernas voltaram a sustentá-lo. Vi-o muitas vezes descer da cama e subir as escadas com desenvoltura.”

Como havíamos documentado um ano atrás, no numero 7/’89 da Família Cristã, existem todos os elementos para falar da graça recebida: por um lado, uma cura definida como ‘impossível’ pelos médicos; por outro, a melhora clara, imediata, duradoura. Domenico Sellan (casado e com filhos), depois do prodigioso acontecido, por muito tempo não teve problemas dignos de nota. Morreu dia 17 de janeiro de 1968.

necessárias para tal. A primeira é a escolha do novo postulador. É nomeado o jesuíta padre Paolo Molinari. Em 12 de junho de 1978, papa Montini ordena que seja emitido o decreto sobre a Introdução da Causa. Recomeça-se. Depois se torna vice postulador o religioso Gustavo Luigi Furfaro, dos Irmãos das Escolas Cristãs fundadas por S. Giovanni Battista De La Salle.
O processo apostólico sobre as virtudes se desenvolve junto à Cúria Diocesana de Torino de 16 de junho de 1980 a 29 de julho de 1981. O Tribunal constituído pelo arcebispo, cardeal Anastásio Ballestrero, reúne-se 69 vezes, ouve cerca de 30 testemunhos e em 31 de março de 1981 se cumpre, muito importante, o reconhecimento canônico dos restos mortais de Pier Giorgio. Conta irmão Gustavo Luigi Furfaro: “Encontramos intactos os lacres colocados na caixa mortuária antes que o corpo fosse transportado ao cemitério de Pollone, província de Vercelli, para o sepultamento. O corpo de Pier Giorgio, estava intacto e composto. Nos lábios, um sorriso.”
A palavra passa novamente para Roma. Em 24 de janeiro de 1984, eis a nomeação do “relator” da causa na pessoa do jesuíta pe. Peter Gumpel. Sob sua direção, o postulador pe. Molinari redige a “Positio”, ou seja, “o estudo” da vida, das atividades, das virtudes de Pier Giorgio. Baseando-se, por sua vez, em dois grandes volumes da “Positio”, tratados com escrúpulos histórico-científicos, os teólogos e os cardeais preparam um parecer para o Santo Padre. Em 23 de outubro de 1987, depois da conclusão do Sínodo sobre os leigos, João Paulo II, devidamente informado, ordena que se lance o decreto sobre o heroísmo das virtudes de Pier Giorgio que se torna portanto, Venerável.

Os documentos do milagre

Para que o jovem Frassati se torne Beato deve-se encontrar e documentar um milagre. Em 28 de dezembro de 1988, a irmã de Pier Giorgio, Luciana, descobre providencialmente na casa dos Frassati, em Pollone, toda a documentação relativa à cura do mal de Pott do friulano (N.T.: nativo da cidade de Friuli) Domenico Sellan, cura ocorrida, dizia-se, milagrosamente, no dia 28 de dezembro de 1933 (falaremos a respeito à parte). “A redescoberta dos documentos aconteceu no mesmo dia do milagre, 28 de dezembro…” realça irmão Gustavo Luigi Furfaro.
O processo canônico referente ao presumido milagre abre-se na Cúria, em Torino, a 24 de janeiro de 1989, e conclui-se após apenas 6 dias, no dia 30. No dia seguinte, 31 de janeiro, o relato sobre a milagrosa cura do Sellan foi assinado pelo cardeal Anastásio Ballestrero: é seu último ato oficial; às 12h desse dia, o cardeal Ballestrero termina seu mandato pastoral de arcebispo de Torino. Irmão Gustavo corre para Roma e entrega o dossiê à Congregação para as causas dos santos. Os médicos antes (26/4/1989), os teólogos depois (30/6), e enfim (3/10) os cardeais participantes da Congregação vaticana citada acima, se dizem de acordo: o sr. Domenico Sellan readquiriu a saúde de modo rápido, completo e inexplicável de fato graças à intercessão de Pier Giorgio, para quem havia orado.
Em 21 de dezembro do ano passado foi assinado o decreto oficial no qual se reconhece que verdadeiramente existiu um milagre. A essa altura ficou certo. Pier Giorgio Frassati será proclamado beato.
Alberto Chiara

“Não entendemos logo a sua grandeza”

Fala a irmã Luciana. E de suas lembranças emerge o Pier Giorgio do dia a dia. “Descobrimos a sua plenitude cristã apenas depois da morte.” Tantos exemplos de generosidade.

Quem era Pier Giorgio para a senhora? Luciana Frassati faz um sinal para que esperemos um instante. Levanta-se da poltrona de sua sala turinese e pega um papel. São cinco linhas datilografadas ao todo. Eis, transformada em poesia pela irmã, a figura do jovem que colocou vontade, engenho, alegria, a serviço de Deus e do próximo: “Para mim você é dias, minutos e horas/ de um horizonte de espaço e tempo/cuidadoso ao lançar ramos frondosos /sobre estradas áridas de enganos onde jaz /a urna ardente de quem não amou”. “Sabe,“ explica, “compus estes versos recentemente. Pier Giorgio para mim significa um afeto forte, renovado, significa compreensão, segurança.”
A sra. Luciana tem quase 88 anos. Nasceu em 18 de agosto de 1902, em 24 de janeiro de 1925, casou-se com o diplomata polonês Jean Gawronski, viajando com ele por todo o Velho Continente e tornando-se mãe de sete filhos, (entre os quais o jornalista e euro deputado Jas). Escritora, poetisa, historiadora de Pier Giorgio; Luciana é a sua mais atenta biógrafa. Publicou numerosos livros sobre sua vida, sua fé, sobre sua caridade, sobre seu empenho sóciopolítico. Pacientemente coletou e enviou á imprensa as cartas de seu irmão.
“Fiz isso para entender”, assegura.” Sim, para entender como foi possível que Pier Giorgio tenha se tornado o Pier Giorgio Frassati hoje conhecido por todos. É verdade, em família, descobrimos a plenitude cristã após a morte. Pessoalmente nunca suportei certos retratos inexpressivos de meu irmão que, especialmente no passado, a cavalo entre as duas guerras mundiais, não demonstravam nem valorizavam sua inteligência, o seu completo envolvimento nos acontecimentos da época. Não, Pier Giorgio não tinha uma personalidade insípida.” E para prová-lo, a sra. Luciana levou mais de 50 anos rastreando uma santidade revestida de naturalidade.
Senhora ajude-nos a conhecer o Pier Giorgio de todos os dias…” fomos educados de forma austera. Era costume, na época. ” O amor dos pais pelos filhos e vice-versa existia. Sem dúvida. Porém, os relacionamentos dentro dos muros domésticos eram caracterizados por pouco calor, sempre, todavia, acompanhados por um grande respeito. “Ainda que, para falar a verdade, eu muitas vezes tratava papai com muita familiaridade: com ele brincava, aprontava tudo a que tinha direito”, afirma a senhora Luciana.
“Pier Giorgio, em casa, falava pouco ou nada sobre suas idéias, suas atividades externas”. Mas com a senhora trocava confidencias, não é verdade? ” Sim. Éramos muito unidos. Tinha-se formado uma espécie de cumplicidade devida, entre outras coisas, os termos percorrido juntos quase todo o caminho escolar (elementares, ginásio, liceu)” Luciana Frassati não esquece: “Ele repetiu duas vezes em Latim, eu apenas uma.” E acrescenta:” Nós nos protegíamos. Se na aula alguma coisa não andava direito com algum dos dois, o outro não falava nada para o papai e a mamãe.”
Continuemos explorando as recordações da irmã. “Não se pode deixar de mencionar sua saúde de ferro. Teve varicela. Mas depois, nem uma dor de cabeça, nunca um sinal de cansaço, mesmo se acontecia de dormir pouco. Uma vez o fiz zangar-se. Estávamos em Sauze d’Oulx, no inverno. Junto com meus amigos, não fui à Missa, indo passear de esqui. Ele me repreendeu, furioso. Um episódio isolado. Sempre me cobria de atenções, delicadezas. Quando andávamos de bike, ao fim de uma subida, ele me esperava sempre. Num dia de carnaval, passamos de trem por Ivrea. Parados na estação, acheguei-me à janela: um rapaz atirou um punhado de confetes em meu rosto. Pier Giorgio revoltou-se. Para ajudar-me atirou-se na água, em Forte dei Marmi, o dia em que o barquinho em que eu estava foi virado pelas ondas altas, jogando-me na água… Eh, a natureza. Ele preferia a montanha. Era um exímio alpinista. Eu privilegiava o mar.
“De certas atitudes suas entendi o real significado apenas mais tarde, após sua morte”.
Poderia nos dar algum exemplo? “Acontecia de vê-lo voltar para casa suado e muito agitado. Tinha, evidentemente, corrido para chegar na hora do almoço ou do jantar (nosso pai fazia questão da pontualidade). “O que será que ele aprontou para ficar desse jeito?”pensava. Com o tempo, depois de seu desaparecimento, descobri que passava horas ajudando os pobres de Torino, esvaziando seus bolsos com eles e ficando sem dinheiro para a condução.
Não recordo um ato mesquinho, uma malvadeza. Por caridade! Sabia rir e brincar. Mas sempre com discrição, com medidas. Quando ele estava, nas conversas em grupo, eram evitados sempre assuntos fúteis e palavras pouco polidas. Era generoso. E atencioso. No dia 15 de julho de 1923, quando me formei em Direito (com nota máxima e louvor), foi o único que me deu um presente. Meus pais me ofereceram um sorvete na Baratti e Milão. Ele chegou com uma cópia da vida de Santa Catarina de Siena de Joergensen. Li no bilhetinho que acompanhava o presente: “À boa e querida irmã, no dia de sua formatura, este livro, para que lhe sirva de guia no caminho de ascensão à perfeição espiritual”.

O milagre para a canonização do Beato Pier Giorgio Frassati ocorreu em 2017, quando um seminarista dos Estados Unidos, Juan Gutierrez, rompeu o tendão de Aquiles jogando basquete e experimentou uma cura completa e inexplicável enquanto rezava a novena de Frassati. Em novembro de 2024, o Papa Francisco reconheceu este milagre como um sinal, abrindo caminho para a canonização de Pier Giorgio no Jubileu da Juventude de 2025, um processo que também validou a incorruptibilidade do corpo de Frassati, encontrado preservado em 1981. 

 Em novembro de 2024, o Papa Francisco reconheceu a cura de Juan Gutierrez como um milagre atribuído à intercessão de Pier Giorgio Frassati, o que permitiu sua canonização. 

A canonização estava  prevista para o Jubileu da Juventude em 2025, no dia 03 de agosto porem com a morte do Papa Francisco e com a  eleição do Papa Leão XIV a data defina foi 7 de setembro. Pier Giorgio será canonizado com Carlo Acutis. No centenário de sua morte, o coroamento de uma vida.

Créditos: Alberto Chiara

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